31 déc. 2007

Para um descrescimento global em 2008



Nunca pensei vir um dia a colocar um vídeo do Roberto Leal no Blog, mas o "Canto da Terra", seu novo álbum, é de outra qualidade, baseado na música tradicional de Trás-os-Montes.
Toca-me com uma certa nostalgia da minha infância no Algarve, naquelas paisagens que tanto os homens desnaturaram desde então, e faz reflectir sobre o Futuro do nosso mundo, no tão desejado Progresso, que muitas vezes só foi, é e será, para as Bolsas ocidentais e para os accionistas.

Não me parece ser reaccionário que falar deste modo. Com o Planeta a sufocar e as suas populações a sofrer de fome, guerras, poluição, exploração... mudar de rumo é preciso...

29 déc. 2007

Força em 2008!


Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 3]

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 10]

23 déc. 2007

Cinema para se ver





Os filmes que eu gostava de ver nestas festas de Natal, mas será possível numa pequena cidade? Com a globalização, a cultura é comércio e a qualidade não é cá chamada...

Não comam merda se puderem!
Resistam!

19 déc. 2007

Tiro pela culatra?

Por ironia dum destino cruel, Paulo Portas já não é ministro do Mar nem da Defesa. Em 2002, um milagre de Fátima tirou-lhe a hipótese de combater a maré negra do Prestige; em 2004, deu uma amostra da sua raça ao enviar a Marinha contra o barco das Women on Waves – ganhou a “batalha naval” mas perdeu a guerra no referendo ao aborto, o acontecimento deste ano de 2007. E ontem perdeu a oportunidade histórica de demonstrar todo o seu génio militar no combate aos 23 mouros que invadiram a Culatra, oriundos de Marrocos – qual quinta-coluna dos infiéis, projectando a reconquista da Península para aqui restaurar o Al-Andaluz… e o Al-Gharb.

Mas afinal quem são estes invasores? Um grupo de 23 cidadãos marroquinos, entre os quais cinco mulheres, que chegaram a terra cheios de fome, sede e frio… Alguns ainda encontraram forças para tentar uma fuga para a liberdade no deserto da Culatra, incluindo uma jovem de 15 anos que acabou por ser conduzida ao Hospital de Faro, acompanhada dum colega com sintomas de hipotermia. Perante este quadro, é difícil evitar o vómito ao ouvir esse campeão da demagogia chorar lágrimas de crocodilo sobre “os dramas humanos” destes náufragos que andaram quatro dias à deriva para, logo a seguir, reclamar “a máxima firmeza contra a imigração ilegal”. Um tiro pela culatra?

Os próprios responsáveis da Marinha e o Director Regional do SEF reconheceram: “tudo indica que Portugal não fosse o destino inicial” destes imigrantes que, no entanto, hoje vão a tribunal como se fossem criminosos. Independentemente dos ventos e tempestades que os desviaram da rota provável para além do estreito de Gibraltar, este episódio tem o mérito de confrontar a sociedade portuguesa com o drama da imigração ilegal, agora por via marítima; quanto às fronteiras terrestres, há muito que a realidade nua e crua é uma política de portas fechadas e janelas escancaradas. Contam-se por largas centenas os imigrantes africanos que chegam até nós, vindos do sul de Espanha, depois de ultrapassarem o Cabo Bojador, em pirogas bem mais frágeis que as caravelas do século XV…

As causas desta autêntica epopeia são conhecidas: a desesperança de vida em África cresce quase na proporção directa das necessidades de mão-de-obra barata nos mercados europeus. Enquanto um visto legal para a Europa custa 4 mil euros e um tempo médio de espera de um ano, uma passagem de piroga custa 150 euros, como afirmava um participante senegalês na recente Cimeira Alternativa Europa-África. Quem já nada tem a perder arrisca, mesmo se a probabilidade de ficar sepultado no fundo do oceano rondou os 20% em 2006 – bem inferior à hipótese de arranjar trabalho ilegal.

Suprema hipocrisia: depois de as autoridades expulsarem uns quantos imigrantes para as televisões, a grande maioria sai das Canárias e é abandonada em estações de comboio de Sevilha, Madrid ou Barcelona; tal e qual o que acontece em Itália, com milhares de imigrantes transportados da ilha de Lampedusa para o continente, com a recomendação expressa para “abandonarem o país”… que toda a gente sabe que ninguém vai cumprir! A própria lógica de mercado, tão incensada pelos governos neoliberais, assim o determina nesta Europa que precisa da mão-de-obra imigrante como pão para a boca, até para combater a crise demográfica e sustentar os sistemas de segurança social. A escolha é apenas uma: imigração ilegal e mercado negro, a coberto da hipocrisia dos governos, ou abertura de canais acessíveis e expeditos de imigração legal e com direitos.

A outra face desta moeda, essa sim dramática, é a sangria permanente das riquezas de África: não só o saque continuado das matérias-primas e o desastre ambiental provocado pelas transnacionais, mas sobretudo a perda dos melhores recursos humanos que procuram emigrar, por todos os meios. A inversão deste estado de coisas, de forma a permitir o regresso de quadros e recursos acumulados na diáspora, é uma empreitada de longa duração que não será bem sucedida se os povos africanos ficarem à espera das dádivas neocoloniais. Assim ficou demonstrado na recente Cimeira de Lisboa, face à tentativa de imposição dos EPA ou APE – acordos de parceria económica – das potências europeias com agrupamentos forçados de Estados africanos, ao pior estilo da Conferência de Berlim de 1884/85 – imposição recusada por Estados da dimensão da África do Sul, Nigéria ou Senegal.

Propaganda socrática à parte, a solidariedade entre africanos e europeus não passa pelos governos e exige, no caso da Culatra, que os náufragos marroquinos sejam protegidos como vítimas de tráfico humano.

Neste “Natal dos Tristes”, o Zeca dedicar-lhes-ia, certamente, “Os Índios da Meia-Praia”.

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 18/12/2007

12 déc. 2007

Culture=commerce

Accord Olivennes


UNE VISION CONSUMÉRISTE DE LA CULTURE


(11 décembre 2007)


___________ _______________


Le 23 novembre dernier était signé à l'Elysée un accord
interprofessionnel arbitré par Denis Olivennes, président
de la Fnac. Objectif : relancer la croissance du disque et
du cinéma en freinant la concurrence d'un
téléchargement non autorisé rendu extrêmement populaire
et facile par les nouvelles technologies. Nicolas
Sarkozy, qui avait confié en personne cette mission au
premier disquaire de France (ce qui n'est pas sans
poser certains problèmes d'indépendance), a salué la
conclusion de l'accord Olivennes en usant d'un
vocabulaire aux accents étrangement colonialistes :
« La France, a promis le président de la République, va
retrouver une position de pays leader dans la campagne
de civilisation des nouveaux réseaux. » Le propos est
fort autant qu'ambitieux.

L'accord « pour le développement et la protection des
oeuvres et programmes culturels sur les nouveaux
réseaux » a été signé par les pouvoirs publics, par
quarante organisations d'ayants droit de la musique, du
cinéma, de la télévision, et par des prestataires
techniques télécoms. Il est intéressant de noter que
les représentants des artistes-interprètes et des
consommateurs n'étaient pas conviés à la table des
discussions. Ensemble, les signataires ont décidé de la
mise en place d'un mécanisme de dissuasion qui prévoit
qu'en cas de récidive, après un premier avertissement
par e-mail, l'internaute pris en flagrant délit de
téléchargement illégal sera privé, d'abord
temporairement, puis définitivement, de son accès à
Internet. Il prévoit aussi une expérimentation du
filtrage des réseaux par les fournisseurs d'accès. En
contrepartie, les ayants droit s'engagent à des
améliorations dans l'offre légale.

En pratique, les obstacles à la mise en oeuvre de
l'accord sont toutefois nombreux. Le dispositif de
« riposte graduée » avait déjà été proposé en 2006 dans
le cadre de la loi sur le droit d'auteur et les droits
voisins dans la société de l'information (DADVSI). Le
Conseil constitutionnel l'avait censuré, jugeant qu'il
n'était pas conforme à la Constitution de créer une
différence de traitement entre le téléchargement non
autorisé, réalisé grâce aux réseaux d'échange de
fichiers, et les autres types de contrefaçon - punies,
elles, de trois ans d'emprisonnement et 300 000 euros
d'amende. Pour tenter de contourner cet obstacle, ce
n'est donc plus le téléchargement-contrefaçon qui sera
sanctionné, mais le fait de ne pas avoir su sécuriser
son accès et empêcher que quelqu'un télécharge chez
soi.

On voit les limites et les risques d'injustices
qu'implique cette responsabilité par ricochet. Comment
un parent qui a ouvert l'accès à Internet à son nom
va-t-il s'assurer que son enfant ne contournera pas les
outils de contrôle qu'il aura péniblement installés
grâce à la notice technique de son fournisseur d'accès ?
Comment même s'assurer que ces outils seront
efficaces, d'autant que le Wi-Fi rend les accès
facilement piratables ? C'est placer une foi
irraisonnée dans la technologie que de faire reposer
des sanctions contre les citoyens sur l'efficacité
technique.

Lire la suite de cet article inédit de Guillaume CHAMPEAU :
http://www.monde-diplomatique.fr/carnet/2007-12-11-Accord-Olivennes


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Une visite polémique



Victor Jara

Signez la pétition pour un referendum

Visit X09.eu

O processo para estabelecer uma constituição na União Europeia prossegue com o objectivo de implementar o próximo tratado antes das eleições europeias de Junho de 2009.

Mas este processo não pode continuar sem a participação directa e a aprovação dos povos europeus. O próximo tratado da UE não pode ser estabelecido sem se ouvirem as pessoas!

X09.eu visa recolher assinaturas de toda a UE apelando para um referendo sobre o próximo tratado europeu.

X09.eu é o desenvolvimento da Carta Aberta aos Primeiros-Ministros endereçada após a Cimeira de Berlim de 25 de Março de 2007 e assinada pelos seguintes 10 deputados do Parlamento Europeu pertencentes a sete diferentes grupos políticos:

Anna Zaborska, Eslováquia (EPP)
Panayiotis Demetriou, Chipre (PPE)
Max van den Berg, Holanda (PSE)
John Attard-Montalto, Malta (PSE)
Diana Wallis, Reino Unido (ALDE)
Silvana Koch-Mehrin, Alemanha (ALDE)
Ryszard Czarnecki, Polónia (UEN)
Gérard Onesta, França (GREENS/EFA)
Tobias Pflueger, Alemanha (GUE)
Jens-Peter Bonde, Dinamarca (IND/DEM)

X09.eu é apoiado por outros deputados do Parlamento Europeu e ONG’s em todos os 27 estados membros.

--
Publicada por k7pirata em Arre Macho

9 déc. 2007

Abertura do RRV virtual

O regresso do Rock Rendez Vous

O mais mítico dos palcos do rock português está de volta com a mesma missão: promover novas bandas. O émulo lusitano do Filmore East ou do Marquee renasce agora em formato virtual. Vinte e sete anos depois, celebrados este mês.

O avatar diante de mim, vestido com a clássica t-shirt do Rock Rendez Vous, é Tpglourenco Forcella, um habitante de Second Life que criou em Portucalis uma loja para vender a imagem de Portugal, continua a sonhar com outros projectos na área da comunicação entre pessoas e, entretanto, criou dentro de SL uma reprodução do Rock Rendez Vous.Para quem não sabe ou já esqueceu, o Rock Rendez Vous (ou RRV) foi um dos melhores locais da noite lisboeta na década de 80 e até meados de 90. Ocupando o edifício do antigo cinema Universal na rua da Beneficência, ao Rego, abriu oficialmente a 18 de Dezembro de 1980, com Rui Veloso. Foi há 27 anos...Encerrado em 1983 por causa do barulho, mas reaberto no seguimento de uma petição, recebeu em 1984 o 1º concurso de Música Moderna, que se estenderia por sete edições, de 1984 a 1989, e de novo em 1994. Foi o primeiro palco a sério para muitas bandas portuguesas ou o local de eleição de outras, dos Gene Loves Jezebel aos Mler If Dada ou... Mão Morta! Os Xutos e Pontapés deram uma trintena de concertos ali, batendo o recorde não oficial da sala. Os Heróis do Mar, Anamar ou Sétima Legião são nomes de uma imensa lista de gente que subiu ao palco do RRV para mostrar o que sabia. E bandas estrangeiras de passagem por Lisboa encheram de som as velhas paredes: Teardrop Explodes, Killing Joke, Danse Society, Raincoats ou The Lords of the New Church.Promoção de bandas. Em Julho de 1990 o RRV fechou as portas, depois de dois dias de leilão. Nos dias 26 e 27 de Julho foi exposto para venda todo o equipamento de animação e peças de decoração do clube, pondo um ponto final na história de um lugar da cidade que merecia ter sido preservado. Felizmente que os computadores permitem, mesmo que de forma virtual, recuperar essa memória. Foi isso que me levou, uma noite destas, ao recinto do RRV, para uma conversa com um dos responsáveis pelo projecto.Para Tpglourenco Forcella este novo RRV em SL, é o espaço ideal "para fazer o que fazia o antigo, agora usando os meios que a Internet coloca ao dispor das
bandas para se promoverem virtualmente". Aquilo que começou por ser pequena brincadeira tornou-se, em pouco tempo, na vontade de devolver o ritmo ao RRV. Reconstruído na perfeição, com fotos de Jorge Palma numa parede, António Variações noutra, os UHF e mais memórias, este RRV espera ser o primeiro palco para bandas portuguesas aceitando o desafio, já aceite por outras, de usar a Internet e sobretudo o Second Life, para se darem a conhecer. É verdade que a lotação deste RRV é inferior à do original, que levava um milhar de espectadores (e muitas vezes quase outro tanto à porta...), mas a experiência de concertos em SL tem provado que vale a pena explorar o potencial promocional dos eventos de música ali realizados.Recordar os anos 80As primeiras sessões de música realizadas no RRV de SL, com música gravada de bandas portuguesas dos anos 80, serviram para atrair, ainda na fase de pré-abertura, um público que reconhece no espaço o original por onde passou. Tpglourenco Forcella
diz que as reacções ao realismo do espaço "têm sido fantásticas". De repente é possível pensar em "recordar o primeiro beijo, a primeira música escutada, se calhar até de gente que se conheceu aqui e acabou por ficar junta, fazer amizades ou mesmo mais".É disso que esta recriação trata: de recuperar uma memória. E para tal, a par com as bandas novas, que podem contactar o avatar dentro de SL, para proporem uma sessão no RRV, Tpglourenco Forcella diz que gostavam de poder levar ao local "os antigos, de Jorge Palma aos GNR, numa experiência que seria enriquecedora para todos" e provaria as capacidades de projectos deste tipo, que pretendem ir além do que muitos parecem achar ser Second Life.O entusiasta do RRV não está sozinho. Formou a TLS, uma produtora de conteúdos para SL, empresa do mundo virtual participada com mais dois sócios. Um deles, Latika Kuhn, entra no RRV. A figura feminina, que encontrara num fundo marinho em Cascais semanas antes, a tratar de peixes virtuais
naquele simulador, está tão entusiasmada com o RRV como Tpglourenco Forcella. Pretendem mesmo encher o espaço de sons, com a vantagem de agora, diz-me TPGlourenco, os vizinhos não se queixarem do barulho.Esta paixão tem significado noites de três horas dormidas, e muitos contactos para consolidar o projecto. Latika Kuhn diz que estão em contacto com uma produtora, tentando encontrar forma de garantir que as portas deste RRV de SL não fecham, como sucedeu ao da vida real. Mas enquanto isso não ganha forma, algum do tempo em SL é aproveitado a descobrir o que outros fazem. E o convite de Latika Khun é irrecusável. Abandonando o silêncio, ainda, de RRV, partimos para uma noite de bailado num outro simulador de Second Life. São os sinais evidentes de que a cultura respira ali.O RRV, esse abre por estes dias. Visite-o e recorde os anos 80.

In Expresso, 8/12/2007

5 déc. 2007

La perfide Albion traque ses pauvres

J'apprends ce soir que le détecteur de mensonges est utilisé au Royaume-Uni pour faire la chasse aux chômeurs qui mentiraient sur leurs démarches de recherche d'emploi, et contre les bénéficiaires de l'aide sociale....
Jusqu'où ira l'ultra-libéralisme dans sa destruction de l'humain?...
Et pendant ce temps-là, dans les Bourses de Londres, New-York, Paris...

On vit dans un monde merveilleux!!!

L'opposition est muselée, mise en prison, la presse aux ordres de Poutine en Russie...
Mais le Kazakhstan, l'Iran, et.... la France, envoient leurs chaleureuses félicitations à Poutine pour la victoire de son parti aux dernières élections législatives.
Vive la Démocratie! (Et les Droits de l'Homme).

Les Services Secrets américains viennent de sortir un rapport indiquant que l'Iran a abandonné son programme nucléaire militaire depuis 2003.
Mais G.W. BUSH insiste :"L'Iran a été, est, et sera dangereux pour le monde".
Vive la connerie!

Augmentation du pouvoir d'achat!....



Seulement pour le président!
Ouais, mais de 170% quand même!ça augmente la moyenne en France, non?

O perfil de Sócrates


O perfil de Sócrates

Com pompa e circunstância, José Sócrates veio a Beja, acompanhado do ministro Mário Lino, para anunciar a terceira data de adjudicação das obras do IP 8, que ligará Sines a Beja e a Vila Verde de Ficalho. Outubro de 2008, “desta vez é que é”! Na sua intervenção, o primeiro-ministro justificou a obra como “um imperativo nacional” mas, sobretudo, pelos investimentos privados “previstos e pensados” para o porto de Sines e pela sua complementaridade com os outros vértices do “triângulo estratégico”: Alqueva e o Aeroporto de Beja, cujas obras foram visitadas por Mário Lino.

Em várias declarações, Sócrates insistiu sobre um ponto: o IP8, entre Sines e Beja, terá “perfil de auto-estrada”, isto é, vai ter portagens – o que está longe de ser um pormenor, pelas suas várias implicações. Sines, o maior e melhor porto de águas profundas da costa portuguesa, com valências industriais e de carga e um enorme potencial de crescimento que o torna apetecível a investimentos transnacionais, não tem impacto meramente regional, pois vai servir um vasto “interland” que pode e deve ir muito além da fronteira, estendendo-se à Andaluzia e Extremadura.

A construção do IP8 com quatro vias, apenas entre Sines e Beja, revela vistas curtas em termos de planeamento estratégico, pois fica a meio do caminho – e Beja fica exactamente a meio caminho entre Lisboa e Sevilha, o que devia fazer pensar qualquer governante, mesmo que não fosse o presidente em exercício da União Europeia. Se o Aeroporto entrar em funcionamento até ao final de 2008 e tendo em conta que o IP8 só estará concluído em 2011 (sem atrasos…), nessa data as duas vias previstas entre Beja e Ficalho já estarão mais do que saturadas; basta ver o actual movimento de camiões de e para Espanha, ainda sem o aeroporto nem o IP8.

A introdução de portagens, além de questões de equidade no tratamento das regiões do interior, é outro sintoma de vistas curtas: do lado de lá da fronteira, há centenas de quilómetros de autovias sem portagem, nas quais se pode atravessar praticamente toda a península. E não se trata de nenhum despesismo inútil, como a evolução comparativa dos dois países mostra, infelizmente, ao longo das últimas décadas. Alguns apoiantes do governo argumentam que hoje há uma estrada apenas sofrível desde o Rosal de la Frontera até Aracena, a meio caminho de Sevilha. Por isso mesmo, é a altura de Portugal, para variar, tomar a iniciativa: e se o IP8 chegar à fronteira com quatro vias, lá para 2011 ou ainda mais tarde, não duvido que a correspondente espanhola não irá tardar – como já aconteceu, aliás, na ligação à Ponte do Guadiana e à Via do Infante, no Algarve.

O “perfil de auto-estrada”, invocado por Sócrates, não se vai limitar ao IP8 e tem muito mais água no bico: ele está intimamente ligado à negociata das Estradas de Portugal, transformadas em SA mas suportadas pelo bolso dos contribuintes – o que gera dúvidas até a dirigentes do PS, como Vera Jardim e Manuel Alegre. Além do monopólio da BRISA sobre as auto-estradas, a privatização das EP entregará durante 75 anos, a gestão de todas as estradas ao grupo chefiado por Vasco de Mello – é fartar vilanagem, um autêntico retrocesso à Idade Média por via neoliberal.

A introdução das portagens no IP8 terá consequências imediatas no bolso dos alentejanos e de todos os utentes que a venham a utilizar. É, além do mais, uma vigarice política: Sócrates fez bandeira da gratuitidade das SCUT, em particular das do interior, nas eleições de 2005. Basta olharmos para a A23, que liga a A1 desde Torres Novas até à fronteira de Vilar Formoso, passando por Castelo Branco e pela Guarda; ou, mais a Sul, a Via do Infante, na qual nenhum governo conseguiu impor portagens. Bem sei que, na geografia segundo Mário Lino, a Sul do Tejo é o deserto; mas não é seguro que os “camelos” aceitem pacificamente pagar portagens.

É bom que Sócrates se aconselhe junto de Cavaco Silva a respeito da “Maria da Ponte”. A principal motivação da primeira grande experiência de desobediência civil em Portugal foi o sentimento de injustiça de toda uma população; e já na altura se dizia, premonitoriamente, que as portagens eram uma afronta não apenas à Margem Sul do Tejo, mas para todos os transtaganos. Dada a experiência entretanto acumulada pelos movimentos sociais e cívicos na luta contra estas outras “portagens”, é bem possível que Sócrates venha a provar o veneno que apressou o fim do cavaquismo.

Bem, construam lá o IP8 – de frente ou de perfil – até à fronteira. Das portagens, a seu tempo, tratarão as alentejanas e os alentejanos – e verão que não somos assim tão lentos…

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 04/12/2007

28 nov. 2007

Le Monde Diplomatique - décembre 2007

** Le Monde diplomatique **


Décembre 2007

http://www.monde-diplomatique.fr/2007/12/

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DANS CE NUMÉRO

* Pakistan
par Ignacio Ramonet.
http://www.monde-diplomatique.fr/2007/12/RAMONET/15395


ÉTATS-UNIS

* Le magicien de la Maison Blanche
par Christian Salmon.


RUSSIE

* Pourquoi le président Vladimir Poutine est si populaire
par Jean Radvanyi.

* Le poids des affaires étrangères (J. R.).


SOCIAL

* Ultime « réforme » des retraites... avant la prochaine
par Antoine Rémond (aperçu).
http://www.monde-diplomatique.fr/2007/12/REMOND/15438

* Régimes très spéciaux (A. R.).

* Sondages très spécieux (A. R.).

Cet article est mis en débat sur notre site :
http://www.monde-diplomatique.fr/debat/retraites


TRAITÉ DE LISBONNE

* Résurrection de la « Constitution » européenne
par Bernard Cassen (aperçu).
http://www.monde-diplomatique.fr/2007/12/CASSEN/15442


AMÉRIQUE LATINE

* Washington a-t-il perdu l'Amérique latine ?
par Janette Habel (aperçu).
http://www.monde-diplomatique.fr/2007/12/HABEL/15380

* Fraude médiatique au Costa Rica
par Nora Garita.

* Une femme à la barre de l'Argentine
par Carlos Gabetta.

* Chili, 1907, Santa María de Iquique
par Sergio Grez Toso.


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« LA SOCIOLOGIE EST UN SPORT DE COMBAT »

Le film de Pierre Carles sur Pierre Bourdieu
en partenariat avec « Le Monde diplomatique »

« Je dis souvent que la sociologie, c’est un sport
de combat, c’est un instrument de self-défense. On
s’en sert pour se défendre, essentiellement, et on n’a
pas le droit de s’en servir pour faire des mauvais coups. »

Pierre Bourdieu

Durée du film : 2 h 20 - 25 euros

DVD disponible sur notre boutique en ligne :
http://www.monde-diplomatique.fr/boutique/sociologie

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ENQUÊTE

* Des travailleurs « récupèrent » leurs entreprises
par Cécile Raimbeau.

* Y a-t-il un avenir pour l'autogestion ? (C. R.).


ÉCOLOGIE

* Faut-il brûler le protocole de Kyoto ?
par Aurélien Bernier.

* L'inquiétante pensée du mentor écologiste de M. Sarkozy
par Daniel Tanuro.


AFRIQUE

* La Côte d'Ivoire tente la réconciliation nationale
par Michel Galy.

* Rôle central de l'immigration
par Augusta Conchiglia.


ASIE

* En Inde, expansion de la guérilla naxalite
par Cédric Gouverneur.


NOVLANGUE

* Capital... humain
par Alain Bihr.


LES LIVRES DU MOIS

« Comme si elle dormait », d'Elias Khoury, par Marina Da
Silva. - « Cueillez-moi jolis messieurs... », de Bessora,
par Anne-Cécile Robert. - « Aryens » de tous pays..., par
Lionel Richard.

* Comment s'élabore le consensus
par Evelyne Pieiller.

* Au temps d'Augusto Pinochet
par Anne Cauwel.

* Les écrivains vietnamiens s'attaquent aux tabous
par Jean-Claude Pomonti.


Retrouvez le sommaire complet :
http://www.monde-diplomatique.fr/2007/12/

Rendez-vous
http://www.monde-diplomatique.fr/rendez-vous/

Dans les revues...
http://www.monde-diplomatique.fr/revues/2007/12


Récemment sur notre site :

* Villiers-le-Bel, de la mort à la rage
La valise diplomatique, 26 novembre 2007
http://www.monde-diplomatique.fr/carnet/2007-11-26-Villiers-le-Bel

* Annapolis, « village Potemkine » de la paix
par Alain Gresh, 25 novembre 2007

http://blog.mondediplo.net/2007-11-25-Annapolis-village-Potemkine-de-la-paix

* Corée : l’argent de la paix
par Any Bourrier, 20 novembre 2007
http://blog.mondediplo.net/2007-11-20-Coree-l-argent-de-la-paix


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Je parle portugais

ESPAÇO « JE PARLE PORTUGAIS » 2007

Do dia 22 ao dia 25 de Novembro o espaço “Je parle portugais”, integrou pelo terceiro ano consecutivo o "Salon de l'Education" (Salão da Educação) de Paris. Iniciativa da Associação Cap Magellan, este espaço dedicado a lusofonia constitui um lugar de dinamismo relativo à acção e as presenças em redor da língua portuguesa.
Esta oportunidade é o resultado do reconhecimento do trabalho realizado ao longo dos últimos anos mas igualmente o trabalho de abordagem desenvolvido pela "Ligue de l'enseignement" (Liga do ensino), organizadora do "Salon de l'Education".

Este ano, o espaço “Je parle portugais” permitio a celebração da língua portuguesa durante 4 dias e mostrar uma imagem moderna e dinámica da língua, por meio de:

ATELIERS

Atelier sobre o Voluntariado Internacional em Empresa animado pelo CIVI
Atelier “qual é a vantagem de escolher o português para o BTS”, animado por Luis Da Silva, Professor ao ENC Bessières (Escola Nacional de Comércio).
Atelier “que fazer com um LLCE ou LEA de português” animado pela ADEPBA, este atelier apresentou-nos as perspectivas profissionais para os titulares de um LLCE (Línguas Literaturas e Civilizações Estrangeiras) ou um LEA (Línguas Estrangeiras Aplicadas) de português.
Atelier sobre os Programas destinados aos lusodescendentes, animado por Ana Brigeiro da DGACCP do Porto, este atelier apresentou os programas destinados aos lusodescendentes (estágio, cidadania, educação…).
Atelier “viver e trabalhar em Portugal”, animado pelo conselheiro EURES João Medroa.

ANIMAÇÕES

As danças Lusófonas em destaque…
Domingo 25 de Novembro, uma verdadeira arajem fresca soprou sobre o "Salon de l'Education" com as representações de Capoeira Angolana (Angoleiros do Mar), de Samba (Allez-Samba) e Percussões Africanas (Danses Africaines et Percussions).

VISITAS INSTITUCIONAIS

Sr. António Monteiro, Embaixador de Portugal em França.
Sr. Jean Paul Huchon, Presidente do Conselho regional de Ile-de-France
Sra. Roselyne Bachelot, Ministra da Saúde, da Juventude e dos Desportos
Sr. Xavier Darcos, Ministro da Educação nacional.
Sr. Jean-Marc Roirant, Secretário geral da Liga do ensino.
Sra. Nadia Bellaoui, Secretária nacional da Liga do ensino
Sr. Michel PEREZ, Inspector Geral da Educação Nacional, responsável do grupo de português.

CONCURSOS

Concursos “Je parle portugais”, com prémio uma viaja à Portugal, de avião com TAP air Portugal e também vários CDs de música e livros lusófonos.

STANDS

ADEPBA, Cap Magellan, DSE Departamento Estágios e Emprego, Instituto Camões, Coordenação Geral do Ensino, Ministério da Educação, Instituto do Emprego e Formação Profissional, Instituto Português da Juventude, Movijovem, CCPF, TAP Portugal, CLP TV, Radio Alfa, Espaço Animação, Espaço Multimédia, Espaço Exposição.

DIA PARA O ENSINO DO PORTUGUÊS NA FRANÇA

A ADEPBA organisou um dia destinado aos professores e estudantes de português no sábado 24 de Novembro. Este dia foi presidido por Michel Perez, Inspector Geral da Educação Nacional, responsável do grupo de português. Diferentes temáticas foram abordadas:

Trocas internacionais e viagens escolares no estrangeiro eTwinning
- Apresentação de eTwinning: plataforma de intercâmbios electrónicos à objectivo pedagógico, animado por Brigitte BOITEL-BONFILS, professora de português, encarregada de missão LVE do CRDP de Paris, membro da ADEPBA.
- Testemunhos sobre as intercâmbios escolares no quadro do eTwinning. Animado por Sandrine ARAGON, professora de letras modernas.
As viagens escolares
- Organização e Programa de viagens escolares no estrangeiro, animado por João Cabral, MOVIJOVEM (Auberges de jeunesse du Portugal) Hermano SANCHES RUIVO, presidente da Associação Cap Magellan
- Organização de uma viagem pedagógica no estrangeiro, aspecto jurídico e financeiro - Exploração pedagógica das viagens à Portugal e ao Brasil no curso de português, animado por Anne-Marie STOENESCO, professora de portugueses.

Literatura, cinema e guerras coloniais: A margem dos murmúrios Lídia Jorge
- uma margem entre literatura e cinema, animado por Christophe GONZALEZ, Professor das universidades, Universidade de Toulouse Le Mirail, presidente do ADEPBA.
- Portugal e as suas guerras coloniais animados por Yves LÉONARD, historiador, professor à IEP - Ciências PO, Paris. Aspectos da guerra na novela e no filme, e José Carlos JANELA ANTUNES, historiador, professor ao Liceu internacional de Saint Germain en Laye.
Atelier sobre o DVD “Le rivage des murmures”

MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

O canal de televisão CLPTv, Rádio Alfa e a revista mensal CAPMag, cobriram o acontecimento directamente desde o Espaço “Je parle portugais”. Nesta ocasião, entrevistas, reportagens e retransmissões em directo foram realizadas durante toda a duração da feira.

UMA INICIATIVA DE CAP MAGELLAN

A Associação Cap Magellan, fundada em 1991, é uma associação francesa de jovens lusodescendentes, lusófonos e lusofilos, e a principal associação de jovens lusófonos ou lusofilos na Europa. Pioneira, deseja chamar a atenção sobre as vantagens de uma cultura e uma língua internacional numa sociedade em mutação, virada para o futuro e a Europa. Cap Magellan participa assim activamente na vida da comunidade portuguesa e lusófona de França, tendo um papel activo no desenvolvimento das relações entre a França, Portugal e outros países de língua portuguesa nos domínios da juventude, das trocas, da cultura, da cidadania e a organização de acontecimentos neste domínios. Com uma forte dimensão de informação, (revista, guia prático, sítio internet e centro de documentação), a associação desenvolve projectos culturais (exposições, concertos), apoia a formação, estágios e emprego, e organização de campanhas de cidadania (segurança rodoviária, luta contra as discriminações, a importância do voto, luta contra a SIDA). www.capmagellan.org

Démocratie (et medias)...


Petição

PETIÇÃO EM PROL DAS CRIANÇAS VÍTIMAS DE CRIMES SEXUAIS

Para estabelecimento de medidas sociais, administrativas, legais e judiciais, que realizem o dever de protecção do Estado em relação às crianças confiadas à guarda de instituições, assim como as que assegurem o respeito pelas necessidades especiais da criança vítima de crimes sexuais, testemunha em processo penal.

ASSINE e DIVULGUE

COPIE O TEXTO DA PETIÇÃO E PUBLIQUE NO SEU BLOGUE E/OU ENVIE AOS SEUS CONTACTOS – ao divulgar já está a ajudar.

http://www.petitiononline.com/criancas/petition.html


Bem-hajam.

Quando a França ferve...

Quando a França ferve…

No passado fim-de-semana tive oportunidade de participar no fórum “Maintenant à Gauche”, no Caveau de la République, em Paris. As primeiras impressões foram dum país e duma capital, bela como sempre, mas profundamente marcada pelas greves e manifestações das últimas semanas, com particular incidência nos transportes públicos e visível nas enormes filas de trânsito. Os ferroviários – os bravos cheminots – foram o coração dos protestos que alastraram a outros sectores, com destaque para a greve da função pública. Também os estudantes da Sorbonne e outras universidades em luta contra a política de privatização do ensino superior se travaram de velhas razões com os flics da polícia de choque, agora às ordens de Sarkozy.

O que surpreende (ou talvez não) é a força e a extensão de um vasto movimento social, seis meses depois da eleição dum Presidente trauliteiro, o mais à direita desde que De Gaulle proclamou a V República. Cavalgando a onda do mais desbragado neoliberalismo, alinhado com os neocons norte-americanos e com Bush nas ameaças de guerra contra o Irão, Sarkozy disse ao que vinha ao romper com a tradicional independência da política externa francesa e com o Estado Social paternalista modelado pela burguesia no pós-guerra, face a um movimento operário poderoso e combativo. É claro que toda esta agressividade social não podia passar sem resposta.

A receita é conhecida em Portugal, pela mão do governo Sócrates: a mesma demagogia do combate aos privilégios visa a destruição dos regimes especiais de protecção social conquistados há décadas por categorias profissionais particularmente desgastantes, como os ferroviários ou os mineiros. Lá como cá, na função pública e no sector privado, o objectivo é aumentar a idade geral de reforma que em França é hoje aos 60 anos. O mundo do trabalho responde à questão dos “privilégios” colocando cima da mesa a exigência duma justa repartição da riqueza. Questão bem oportuna quando Sarkozy, o mesmo que chamou “escumalha” aos jovens franceses e imigrantes da segunda geração, está a braços com escândalos dos seus amigos banqueiros e traficantes de armas para países africanos e o ex-Presidente Chirac responde a uma procuradora e pode vir a sentar-se no banco dos réus …

Neste clima de efervescência social, discutiu-se a premência duma alternativa política que responda às aspirações de mudança dos trabalhadores. Apesar de traços comuns, como o “centrão” neoliberal entre o PS e a direita, a situação tem particularidades à esquerda que merecem a maior atenção – ou não fosse França, há mais de dois séculos, o laboratório político da Europa.

Depois da dispersão visível nas presidenciais de Maio passado, há uma consciência muito forte da necessidade de abrir novos caminhos à esquerda e começam a desenhar-se pontos de entendimento: o primeiro é a defesa intransigente da soberania popular e do respeito pelo NÃO do povo francês ao projecto de Constituição Europeia, o combate contra a imposição do novo Tratado Europeu sem referendo, à revelia da própria Constituição; a defesa das conquistas do movimento operário e dos direitos sociais; a recusa de atrelamento a governos de gestão do neoliberalismo e o corte com um PS que apenas critica a falta de diálogo de Sarkozy mas subscreve todas as suas contra-reformas.

Na sala desfilaram militantes de diversas origens políticas: socialistas, comunistas, republicanos de esquerda, ecologistas, trotskistas, altermundialistas, todos partilhando a convicção de que é urgente uma formação política ampla, plural e combativa, um novo “rassemblement à gauche” que faça renascer a esperança. Significativa a intervenção do representante da corrente unitária do PCF: “a melhor maneira de defender hoje o ideal comunista é ultrapassar a forma Partido Comunista e mergulhar no seio duma formação ampla da esquerda”. Em cima da mesa estiveram experiências da nova esquerda europeia, como o Bloco de Esquerda e o “Die Link” alemão, resultante da fusão do ex-PDS e da esquerda do SPD representada por Oskar Lafontaine, presidente deste novo partido que já ultrapassou os 8% a nível nacional e os 20% em territórios da antiga RDA.

Felizmente, as aspirações de unidade e mudança não se esgotam no Caveau de la République. Dois dias antes, num comício com duas mil pessoas, Olivier Besancenot – o candidato à esquerda do PS mais votado nas presidenciais – defendeu também a necessidade do novo partido anti-capitalista. Aguardam-se novidades nos Congressos do PCF e da LCR, em Dezembro e Janeiro próximos. E como a luta social não tem fronteiras, a 30 de Novembro cá vamos à greve geral da função pública!

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 27/11/2007

25 nov. 2007

Vergonha!


Fiquei muito recentemente a saber do acidente mortal que envolveu um jovem da zona de Messines e que era conhecido dos meus pais e dos vizinhos aqui em França...
Em solidariedade, copiei esta imagem no Penedo grande (desculpa!) para partilhar a emoção...

Energies renouvelables

Le Portugal va devenir le premier producteur mondial, à l'échelle commerciale, d'électricité générée à partir la houle marine.

Pour ce faire, le Portugal est en train de se doter de machines Pelamis semi émergées, nom d'origine latine qui signifie serpent de mer, conçues par une entreprise écossaise, Pelamis Wave Power (PWP). Cette machine est composée de plusieurs cylindres de 3,5 mètres de circonférence, chacun de la longueur d'un wagon de train et reliés entre eux dans la direction des vagues sur une longueur totale d'environ 150 mètres. Les vagues provoquent la montée et la descente du Pelamis dans une séquence de mouvements ressemblants à ceux d'un serpent. Au niveau des charnières, des marteaux hydrauliques pompent une huile à haute pression et fournissent une énergie qui est convertie en électricité par un générateur.

Le projet Pelamis fournira à ses débuts 2,25 megawatts (MW) d'énergie propre au large d'Aguçadoura, dans le Nord du Portugal, de quoi fournir l'équivalent énergétique de 1 500 foyers. A terme, le projet sera capable de générer l'énergie de 15 000 maisons, économisant ainsi l'émission de 60 000 tonnes de CO2 par an. Cette initiative est financée à hauteur de 15% par des financements publics, le reste étant à la charge du maître d'oeuvre, l'entreprise Enersis reconnue pour ses investissements dans les énergies renouvelables. Cependant, sans les fonds publics, le projet ne serait pas rentable. Disposant de trois appareils au départ, Enersis espère porter la ferme à vagues à 30 machines dès l'année prochaine pour atteindre en quelques années une centaine de machines pour une production de 500 MW qui rendrait le projet rentable.

Ce projet s'inscrit bien dans la politique volontariste du Portugal pour développer les énergies renouvelables. Le premier ministre portugais José Sócrates a récemment relevé le taux des énergies renouvelables que le pays devra produire d'ici 2010 en passant de 39% à 45%. Centré sur l'énergie éolienne, le manque de place sera à terme un problème pour le Portugal qui doit alors trouver d'autres sources d'énergies renouvelables. Avec des côtes s'étalant sur plus de 830 km, l'énergie des vagues présente un grand intérêt de même qu'il offrirait un avantage commercial pour le Portugal qui se positionnerait comme un pionner dans cette technologie dans un processus comparable à celui qui a permis au Danemark et à l'Allemagne de dominer le marché de l'énergie éolienne.
En savoir plus
Références
"Portugal tira energia da sondas do mar" - Diário de Notícias - 03/10/2007 - p34
"Portugal gambles on 'sea snakes' providing an energy boost'" - The Guardian - 01/10/2007
Rédacteur
Guillaume Arras

Source
BE Portugal numéro 27 (15/11/2007) - Ambassade de France au Portugal / ADIT - http://www.bulletins-electroniques.com/actualites/51865.htm

Salon de l'Education


Espaço "eu falo português" no Salon de l'Education em Paris do 22 ao 25 de Novembro de 2007

17 nov. 2007

saudades do Alentejo


Mourão. O restaurante "Adega velha" é um lugar de puro prazer cujo endereço não se pode dar a ninguém!
Aqui é o castelo, que podia ser melhor aproveitado. Mas estas terras são de gente pobre (mas digna!)
O Alentejo sempre foi esquecido, este Governo não escapa à regra!

Esquerda europeia

Debate internacional em Lisboa

Sábado às 16h há transmissão em directo do debate da esquerda europeia (http://www.esquerda.net).

16-Nov-2007
Veja aqui a transmissão em directo a partir das 16hAlain Krivine (LCR francesa) e Alex Callinnicos (SWP inglês) são os convidados internacionais para o debate sobre os novos caminhos da esquerda socialista europeia, que se realiza em Almada e será transmitido em directo aqui no esquerda.net. Francisco Louçã e Mariana Aiveca também participam no debate que encerra a Conferência das Esquerdas Anticapitalistas Europeias.

Para além destas duas figuras de referência da esquerda anticapitalista na Inglaterra e França, o encontro de movimentos políticos que o Bloco de Esquerda recebe este sábado junta outros dirigentes da esquerda europeia.

Dois dos participantes acabam de sair de processos eleitorais. É o caso de Soren Sondergaard, eurodeputado e dirigente da Aliança Verde e Vermelha dinamarquesa, que conquistou quatro lugares no parlamento nas eleições de terça feira. Outro dos convidados será Giorgos Karatsioubanis, dirigente do Synaspismos, cuja aliança eleitoral conseguiu 14 deputados nas eleições de Setembro.

A Conferência terá lugar na Pousada de Juventude de Almada e o debate público tem início às 16h deste sábado.

11 nov. 2007

Précarité



In Charlie Hebdo

Vergonhoso: Professores das AEC não recebem!

As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita».
Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.
A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.
O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias.
Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano.
Que vergonha!!!

In www.cegueiralusa.com

Pobreza


"E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria, ao trabalho desproporcionado, à desmoralização, à infância, à desgraça invencível, à penúria absoluta, para produzir um rico?"

Almeida Garrett - citação in Levantado do chão, de José Saramago

10 nov. 2007

Appel aux Parlementaires européens

Non à la directive de la honte !
Appel aux parlementaires européens

Le 29 novembre, un projet de directive sur la rétention et l'expulsion des personnes étrangères sera soumis au Parlement européen.

Depuis 1990, la politique européenne conduite par les gouvernements en matière d'immigration et d'asile s'est traduite par une réduction continue des garanties et des protections fondamentales des personnes. L'Europe se transforme en une forteresse cadenassée et met en oeuvre des moyens démesurés pour empêcher l'accès à son territoire et expulser les sans-papiers.

Le projet de directive, s'il était adopté, constituerait une nouvelle régression.
En prévoyant une rétention pouvant atteindre 18 mois pour des personnes dont le seul délit est de vouloir vivre en Europe, il porte en lui une logique inhumaine : la généralisation d'une politique d'enfermement des personnes étrangères qui pourrait ainsi devenir le mode normal de gestion des populations migrantes.
En instaurant une interdiction pour 5 ans de revenir en Europe pour toutes les personnes renvoyées, ce projet de directive stigmatise les sans-papiers et les transforme en délinquants à exclure.

Le projet de directive qui sera présenté au Parlement est le premier dans ce domaine qui fasse l'objet d'une procédure de co-décision avec le Conseil des ministres. Le Parlement a donc enfin la possibilité de mettre un terme à cette politique régressive qui va à l'encontre des valeurs humanistes qui sont à la base du projet européen et qui lui donnent sens.

Les parlementaires européens ont aujourd'hui une responsabilité historique : réagir pour ne pas laisser retomber l'Europe dans les heures sombres de la ségrégation entre nationaux et indésirables par la systématisation des camps et de l'éloignement forcé.
Nous appelons les parlementaires européens à prendre leurs responsabilités et à rejeter ce projet.



Pétition à signer en ligne : http://www.directivedelahonte.org/


Premiers signataires

European organizations
Migreurop
AEDH - Association Européenne pour la défense des Droits de l'Homme

Belgium
CIRE - Coordination et Initiatives pour et avec les Réfugiés et Étrangers
LDH - Ligue des Droits de l'Homme


France
Anafé - Association nationale d'assistance aux frontières pour les étrangers
ATMF - Association des Travailleurs Maghrébins de France
Cimade - Service oecuménique d'entraide
Gisti - Groupe d'information et de soutien des immigrés
IPAM - Initiatives Pour un Autre Monde

LDH - Ligue des droits de l'Homme

Germany
Pro Asyl


Italy
ARCI - Associazione Ricreativa e Culturale Italiana

Spain
APDHA - Asociación Pro-Derechos Humanos de Andalucía

United Kingdom
NCADC - National Coalition of Anti-Deportation Campaigns
Statewatch

UDC, l'extrême-droite raciste et xénophobe au pouvoir en Suisse


Companheiros:

Vejam como a xenofobia está a crescer na Suíça. Insultam a comunidade portuguesa, ainda por cima a pretexto do 25 de Abril ter "destruiu as elites" que para lá emigravam - só se fossem os lavadores de dinheiro!!!

Vá lá que os directores escolares pediram desculpas...

Anexo dois mails que me foram enviados pelo camarada Fernando Batista, de França e que é natural de Sines.

Se puderem, espalhem estes mails e protestem contra a xenófobia em crescendo na Suíça e não só...

Abraços

Alberto Matos


COMUNIDADE PORTUGUESA É INJURIADA E VEXADA PELAS AUTORIDADES ESCOLARES SUÍÇAS
29/10/2007

CONSELHO DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS
Manuel de Melo e António Dias Ferreira
Conselheiros eleitos pelo círculo eleitoral da Suíça

Comunicado de imprensa

Comunidade portuguesa é injuriada e vexada pelas autoridades escolares suíças

Em nota de informação enviada aos serviços escolares cantonais, datada de 11.09.2007 e à qual apenas agora tivemos acesso, a CDIP – o organismo que coordena os serviços da instrução pública na Suíça, tece considerações altamente injuriosas e vexatórias para os milhares de portugueses residentes na Confederação Helvética.

O referido documento foi elaborado no âmbito da visita que António Braga, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas efectuou ao país, e serviu de pano de fundo para a análise da situação e tomada de conclusões acerca do insucesso escolar dos alunos portugueses na Suíça, durante o encontro que teve lugar no dia 12 de Julho de 2007, entre o secretário de Estado português e a Sra. Isabelle Chassot, presidente da CDIP.

Depois de reconhecer que os resultados escolares dos alunos portugueses na Suíça são os mais baixos dentre as comunidades de migrantes que vivem no país e que os portugueses têm uma representação excessiva nas classes especializadas, e que raramente acedem a uma formação pós-obrigatória, a CDIP aponta três razões essenciais que explicam a situação, entre as quais a de que «a comunidade portuguesa na Suíça é uma comunidade “sem cabeça”, isto é, esta comunidade não dispõe de nenhuma elite na Suíça que lhe possa servir de modelo; esta situação explica-se em virtude das perturbações políticas que Portugal conheceu após a Revolução dos Cravos (1974): depois da democratização do país, a maioria dos quadros e dos intelectuais portugueses que residiam na Suíça e que aí tinham feito os seus estudos, regressaram ao seu país; daí em diante apenas as famílias de origem modesta se fixaram na Suíça».

Mas a gravidade da situação não se fica por aqui. Na acta final do encontro entre as duas delegações, sendo a delegação portuguesa chefiada por António Braga, atribui-se única e exclusivamente à comunidade portuguesa a responsabilidade da situação, nomeadamente a «origem sócio-cultural modesta das famílias» e as «dificuldades destas em compreender a complexidade do sistema escolar suíço e de reagir em consequência face aos problemas», ao que acresce ainda a «ausência de “modelo” para a comunidade portuguesa (isto é, na hora actual, não existe mais na Suíça, personalidades portuguesas que tenham um papel de modelos para os jovens desta comunidade». No mesmo documento pode ainda ler-se que «convém assinalar, em particular, a abertura da delegação portuguesa quanto às causas que estão na origem dos problemas escolares encontrados pelos alunos portugueses na Suíça».

Ora, não foram essas as conclusões que António Braga transmitiu aos conselheiros do CCP na Suíça, no encontro que realizou com os mesmos na Embaixada de Portugal em Berna, após a sua visita à Suíça.

Para lá das apreciações insultuosas e humilhantes para com a comunidade portuguesa, a CDIP, de forma leviana – a sua análise não está sustentada em qualquer estudo sério elaborado para o efeito – tira conclusões escabrosas que revelam apenas um desrespeito profundo pela comunidade lusa, além de demonstrar um desconhecimento absoluto daquilo que representa hoje a comunidade portuguesa na Suíça, onde se destacam professores universitários, médicos, políticos, sindicalistas, empregados bancários, quadros superiores em muitas empresas, destacados empresários, etc.

Em nome da honrosa massa de trabalhadores portugueses, que está entre as que mais têm contribuído para o desenvolvimento económico e social da Suíça, repudiamos os insultos e o enxovalho à comunidade por parte da CDIP, e exigimos à senhora Isabelle Chassot, enquanto presidente desse órgão, que apresente um pedido formal de desculpas à comunidade portuguesa na Suíça.

Exigimos igualmente ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga e ao embaixador de Portugal na Suíça, Eurico de Paes, um esclarecimento cabal sobre tudo o que se passou entre as delegações portuguesa e suíça, e se as conclusões assumidas foram efectivamente aquelas que a CDPI levou à acta que elaborou da referida reunião.

Apelamos também à mobilização e solidariedade de todos os líderes e membros da comunidade portuguesa na Suíça, contra este ataque grosseiro à nossa comunidade, e solicitamos desde já a todos os emigrantes portugueses, que boicotem quaisquer iniciativas a realizar pela CDIP e pela Embaixada de Portugal em Berna, a começar já pela recepção que o embaixador português vai oferecer no dia 30 deste mês, aos professores portugueses na Suíça, e que apenas pretende servir para os envolver nesta farsa ignóbil e repugnante.

Por último, pedimos a todos aqueles que tenham acesso à Internet, que enviem mensagens de protesto e repúdio para os endereços electrónicos dos seguintes responsáveis:

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas – António Braga

Embaixador de Portugal na Suíça – Eurico Paes

Presidente da CDIP Isabelle Chassot

Genebra/Sion, 29 de Outubro de 2007.

Contactos:
Manuel de Melo (Genève)
- Tel. +41 (0)79 621 24 88
- E-mail

A. Dias Ferreira (Sion)
- Tel. +41 (0)27 203 36 81
- E-mail

************************
Noticia difundida no site "luso.fr"

Abraço
Fernando Batista

A CONFERÊNCIA SUÍÇA DOS DIRECTORES CANTONAIS DE INSTRUÇÃO PÚBLICA APRESENTA DESCULPAS À COMUNIDADE PORTUGUESA




02/11/2007

NOTA INFORMATIVA

Em resposta ao abaixo-assinado subscrito por dezenas de portugueses, e através de uma nota que reproduzimos a seguir, assinada pelo seu Secretário-Geral, Hans Ambühl, a Conferência suíça dos Directores cantonais de Instrução Pública (CDIP) apresenta formalmente desculpas à comunidade portuguesa e compromete-se a prosseguir activamente a cooperação construtiva com as autoridades portuguesas, nomeadamente com a embaixada de Portugal em Berna, no que respeita à escolarização das crianças portuguesas.

Por agora, e porque o que está em causa são os legítimos direitos e interesses das crianças portuguesas, aceitamos as desculpas da CDIP, sem contudo deixarmos de considerar que as suas alegações estão escudadas em desculpas bacocas, especialmente no calino «documento interno» pois, mesmo a «nível interno» nada justifica o procedimento da CDIP.

Mas se o procedimento da CDIP não é recomendável, a postura das autoridades portuguesas, nomeadamente do Embaixador de Portugal na Suíça, Eurico de Paes, não lhe fica atrás. O mínimo que se esperaria da parte do embaixador de Portugal em Berna – depois de toda a comunidade lusa ter sido vexada e enxovalhada pela CDIP – era que o mesmo manifestasse publicamente a sua solidariedade para com a comunidade lusa e solicitasse de imediato às autoridades helvéticas um pedido formal de desculpas. Pelo contrário, o embaixador preferiu atacar cobardemente os conselheiros que denunciaram a situação, dirigindo-lhes uma missiva acusando-os de mediatismo. Ora, o embaixador português não só não cumpriu o seu dever, como também votou toda a comunidade portuguesa a um desprezo absoluto.

Esperando que tal não se repita no futuro, aconselhamos o embaixador de Portugal na Suíça a adoptar uma atitude mais responsável e a assumir a defesa dos verdadeiros interesses dos emigrantes portugueses. É para isso que servem os embaixadores.

No que respeita ao problema concreto, que é o insucesso escolar dos alunos portugueses na Suíça e o elevado número de crianças lusas em “Classes Especiais”, continuamos a exigir às autoridade suíças e portuguesas, uma maior intervenção de ambas as partes na procura de soluções que conduzam a uma melhoria dos coeficientes de aproveitamento escolar das crianças portuguesas.

Continuamos a aguardar que seja constituído o grupo de trabalho luso-suíço para acompanhar esta problemática, e que seja feito o levantamento rigoroso de todas as crianças portuguesas que frequentam o ensino espacial suíço e sejam fornecidas as cadernetas escolares das mesmas, tal como foi prometido há quase quatro meses pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, António Braga, e pelo embaixador de Portugal em Berna.

Por último, agradecemos a todos os nossos compatriotas que nos têm apoiado nesta luta em defesa das nossas crianças e jovens, e apelamos a todos para que se mantenham vigilantes, pois não podemos ficar à espera do poder político que, por vezes, é moroso e talvez desinteressado.

Genebra/Sion, 2 de Novembro de 2007.

MANUEL DE MELO e ANTÓNIO DIAS FERREIRA
Conselheiros da Comunidade Portuguesa

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Mesdames, Messieurs,

La Présidente de la Conférence suisse des directeurs cantonaux de l'instruction publique (CDIP), Mme la Conseillère d'Etat Isabelle Chassot, a bien reçu votre message et nous a priés de bien vouloir vous apporter les éléments de réponse nécessaires.

Nous comprenons pleinement l'émotion et les sentiments que vous avez pu ressentir à la lecture du communiqué de presse publié par MM. Manuel de Melo et Antonio Dias Ferreira. Nous partageons d'autant plus cette émotion que les propos relatés dans ce communiqué ne correspondent en rien à une prise de position de la CDIP et encore moins à une déclaration de la Présidente de notre Conférence.

Pour votre information, les propos relatés dans le communiqué de presse en question proviennent de la diffusion non autorisée d'un document interne du Secrétariat général de la CDIP reflétant non pas l'évaluation de notre Conférence, mais seulement l'appréciation personnelle de l'un de nos collaborateurs. Néanmoins, nous tenons à vous présenter toutes nos excuses pour les propos non différenciés et sans nuance, contenus dans ce document, au sujet des facteurs explicatifs de l'échec scolaire de certains enfants portugais en Suisse.

La CDIP tient enfin à vous assurer qu'elle poursuivra activement la coopération constructive établie avec les autorités portugaises, en particulier avec l'ambassade de ce pays à Berne, en ce qui concerne la scolarisation des enfants portugais en Suisse.

En vous réitérant nos regrets pour ces propos qui ont pu vous blesser et en restant à votre disposition pour tout renseignement complémentaire, nous vous adressons, Mesdames, Messieurs, nos meilleures salutations.

Conférence suisse des directeurs cantonaux de l'instruction publique

Hans Ambühl
Secrétaire général

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Les soussigné-e-s ont été choqué-e-s par la façon dont les documents de la Conférence suisse des directeurs cantonaux de l'instruction publique (CDIP) ci-joints ont été rédigés. Ces textes sont injurieux et inexacts.

C'est un vrai manque de respect envers une communauté qui est attachée à la Suisse, qui s'y est bien intégrée et qui se préoccupe de l'avenir de ses enfants. Ce sont en effet les membres de la communauté portugaise qui ont été à plusieurs reprises à l'origine d'une demande de concertation entre les autorités portugaises et les autorités suisses sur la situation de leurs enfants dans le système scolaire suisse!

Les représentants de la communauté portugaise en Suisse ne partagent pas les définitions des causes des problèmes de scolarité des jeunes portugais telles que décrites dans les documents de la CDIP. De même, ils s'étonnent du manque de propositions concrètes pour résoudre le problème des élèves.
Enfin, la communauté portugaise, très fière des nombreux travailleurs portugais qui ont beaucoup contribué au développement économique et social de la Suisse, informe les responsables de la CDIP que leur communauté compte aujourd'hui de nombreux professeurs universitaires, cadres supérieurs, entrepreneurs, médecins, syndicalistes, politiciens, etc. Elle souhaite recevoir des excuses de la part de la CDIP et voir des mesures concrètes pour résoudre les problèmes de ses jeunes se mettre en place.

Signataires

3 nov. 2007

Crónica de Alberto Matos

Município menos participado

Há pouco mais de um ano, em crónica neste mesmo espaço, fiz questão de saudar a Câmara de Beja por ter lançado a iniciativa “Município Participado”, no cumprimento do programa eleitoral da CDU – neste ponto convergente com o programa que, em nome do BE, apresentámos às cidadãs e aos cidadãos do nosso concelho. Esta postura veio romper com a do anterior executivo CDU que respondia com “um silêncio ensurdecedor” sempre que alguém falava em orçamento participado.

Sendo a primeira experiência, todos temos muito a aprender nesta caminhada de aprofundamento da democracia participativa. O ano passado questionou-se o carácter demasiado genérico do inquérito que devia ter sido enviado a todos os domicílios, junto com o Boletim Municipal; mas, pelos vistos, houve uma falha da empresa encarregada da distribuição e o número de inquéritos recolhidos pouco ultrapassou os mil. Apesar de tudo, é um número com significado estatístico, pelo que continuamos a aguardar a divulgação e interpretação dos dados, a partir dos quais será possível extrair conclusões que ajudem a delinear as prioridades do município e até para reformular futuros inquéritos.

Há um ano considerei que começar em Setembro era tarde, pois a proposta final de orçamento foi às sessões de Câmara e Assembleia Municipal, no final de Novembro. E sugeri que, de futuro, este processo se iniciasse em Abril ou Maio, de forma a permitir duas rondas de reuniões: uma primeira em que o executivo apresentasse as várias opções em jogo, face às previsões financeiras; e uma segunda, já depois de recolhidas as sugestões e propostas das várias assembleias populares, em que será discutida uma versão aproximada da proposta final de orçamento, submetendo-a à opinião e à crítica públicas. A decisão final caberá sempre aos eleitos, que por ela assumem a responsabilidade política. Mas, assim, o orçamento e o plano de actividades serão muito mais ricos e concretos.

Passado um ano, o mínimo que posso dizer é que evolução foi decepcionante. Em vez de antecipar o processo, as reuniões só começaram em Outubro – na Assembleia Municipal de 24 de Setembro tive oportunidade de manifestar estranheza pelo atraso e pela falta de informação. Em termos de participação houve um recuo, logo a partir da primeira reunião que, tal como em 2006, decorreu em Baleizão. Nas freguesias rurais a quebra foi menos nítida, pois a presença do Presidente e dos vereadores é sempre motivo de atracção e para apresentar reclamações. Mas o formato assemelha-se a “um comício” da maioria CDU, agora alargada ao vereador “conquistado” ao PS, sobretudo por culpa dos vereadores da oposição que primam pela ausência a estas sessões públicas.

Na cidade, em vez das quatro reuniões por freguesias que, em 2006, registaram 86 presenças, este ano optou-se por duas sessões temáticas, a 17 e 19 de Outubro. A primeira, no ginásio da Escola do Salvador, contou com 15 pessoas, para além dos vereadores, técnicos da autarquia e presidentes das Juntas de Freguesia urbanas. Os técnicos começaram por apresentar, o melhor que puderam, os projectos do município que aguardam financiamento do QREN 2007-2013. Depois foram colocadas perguntas ao executivo, mas o clima esteve frio… por falta de calor humano!

Dois dias depois, ainda pior: se em 2006 o salão da Cooperativa “Lar para Todos” estava composto, este ano registou 11 presenças. Foram finalmente apresentadas algumas conclusões do inquérito de 2006 e as respostas da Câmara deu às prioridades apontadas pelos munícipes: arruamentos, arranjos paisagísticos e recolha de resíduos sólidos, com a componente cada vez maior da reciclagem. Pena que esta apresentação não fosse bem divulgada, o que ajudaria a interessar as pessoas: na cidade quase ninguém soube da realização destas duas sessões. E se os meios próprios (ou contratados) de divulgação da Câmara são inoperantes, bastaria um simples mailing dos Correios!

Perante esta realidade, não aceitemos conclusões conformistas como “as pessoas não querem saber nem participar”, visando passar a certidão de óbito a um processo que, em Beja, acabou de nascer. De imediato urge apresentar as conclusões do inquérito de 2006, antes de distribuir o inquérito de 2007 a todos os domicílios do concelho – pois os que foram divulgados (e respondidos) a partir das sessões são em número diminuto. E, nos primeiros meses de 2008, é preciso que os eleitos locais se empenhem na convocação e divulgação destas sessões e sejam capazes de ouvir as populações. Até prova em contrário, continuo a acreditar nas palavras do presidente da Câmara, Francisco Santos: “as pessoas têm uma noção das prioridades, dos problemas e das soluções que, por vezes, nem nos passava pela cabeça”.

O município participado não é, nem pode ser, exclusivo de nenhum partido.


Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 23/10/2007

Citoyenneté

Élections Municipales 2008 :
Campagne de citoyenneté auprès des européens.

Élections Municipales 2008

1. Constats :

1. En France

Le nombre de ressortissants européens inscrits sur les listes complémentaires des mairies pour les élections municipales et européennes est très faible :

Nous allons prendre la communauté portugaise comme exemple car :

* c’est la plus présente en France
* c’est celle dont nous avons les chiffres les plus récents
* Notre réseau se compose de 850 associations, 35 radios locales, 3 TV, 15 consulats.

63 374 personnes sur les 472 320 portugais « mononationaux » en France sont inscrits sur les listes complémentaires, ce qui représente 13.4 % des ressortissants portugais.

Lors des dernières élections municipales en 2001, sur les 991 ressortissants européens candidats, 389 étaient des ressortissants portugais. Sur les 204 ressortissants européens élus, 83 étaient des mononationaux portugais.Les départements comptant le plus de ressortissants portugais inscrits sur les listes complémentaires :
1. 94 -Le Val de Marne (5 481 inscrits)
2. 92 -Les Hauts de Seine (4 495)
3. 91 -L’Essonne (4 393)
4. 93 -La Seine Saint Denis (4 271)
5. 78 -Les Yvelines (4 165)
6. 77 -La Seine et Marne (3 713)
7. 75 -Paris (3 096)
8. 95 -Le Val d’Oise (3 091)
9. 63 -Le Puy de Dôme (2 492)
10. 59 -Le Nord (1 872)

Les départements avec le plus d’élus portugais sont :
1. 77 -la Seine et Marne (40 élus)
2. 91 -l’Essonne (39)
3. 78 -les Yvelines (28)
4. 95 -le Val d’Oise (24)
5. 94 -le Val de Marne (22)
6. 93 -la Seine Saint Denis (14)
7. 45 -le Loiret (12)
8. 92 -les Hauts de Seine (11)
9. 63 -63 -le Puy de Dôme (9)
10. 79 -les Deux-Sèvres et 59 -le Nord (8)


2. L'exemple de Paris

113 250 : Électeurs européens potentiels à Paris

11 312 : Nombre de ressortissants européens inscrits sur les listes complémentaires, soit à peine 9,9 %

À Paris, les ressortissants européens sont au dernier recensement (1999) 113 250. Parmi eux, 38 455 sont des Portugais. Seulement 11 312 européens sont inscrits sur les listes complémentaires dont 3 096 portugais.

Du coté des mairies, seulement deux conseillers municipaux ayant la double nationalité franco-portugaise ont été élus en 2001. Un chiffre très faible si l’on considère que les portugais sont la première communauté européenne de la capitale.

A noter que pour les élections municipales de 2001, dans les 5ème, 9ème et 12ème arrondissements, l’écart entre deux listes se résumait à quelques centaines de voix.

Les arrondissements où résident le plus de Portugais :

1. 16ème (4 873)
2. 17ème (4 060)
3. 15ème (3 952)
4. 18ème (2 907)
5. 11ème (2 275)
6. 14ème (2 205)

Les arrondissements accueillant le plus d’européens :
1. 16ème (12 619)
2. 15ème (10 780)
3. 17ème (9743)
4. 18ème (9 391)
5. 11ème (8 146)
6. 20ème (7 108)


2. La CCPF

La Coordination des Collectivités Portugaises de France, tête de réseau et centre de ressources au service de la lusophonie en France, comme structure oeuvrant à la divulgation de la cause européenne, anime une campagne citoyenne de mobilisation des structures européennes en France dont celles des ressortissants européens.

Ses objectifs :

1. Sensibiliser TOUS les européens notamment en invitant les associations de ressortissants européens à développer ou relayer la campagne de la CCPF (structures italiennes, espagnoles, britanniques, allemandes, belges, polonaises, danoises, grecques.)
2. Œuvrer au sein du réseau franco-portugais (associations, entreprises, médias, institutions publiques et privées) et auprès des mairies (notamment auprès des 318 élus portugais ou français portugais de France.

D’où une campagne en 4 phases :

* Présentation des institutions françaises, portugaises et européennes ainsi que les fonctions de Maire, Député, Sénateur, Président (2006)
* Campagne d’incitation au vote pour les élections présidentielles et législatives (2007)
* Municipales 2008, 1ére partie : « Dans ma ville, je m’inscris » - sensibilisation des citoyens européens à l’inscription sur les listes complémentaires (avant le 31 décembre 2007)
* Municipales 2008 : « Dans ma ville, je vote » lutte contre l’abstention et incitation au vote (les 9 et 16 mars 2008)

Avec comme objectif final avoué d’augmenter considérablement le nombre d’inscrits sur les listes, le nombre de candidats ressortissants européens puis le nombre d'élus.


3. Que fait la CCPF entre novembre et décembre 2007 ?

Aujourd’hui, avec un budget limité de 7500€, la CCPF propose une campagne développée autour de :

o Une affiche
o Un dépliant informatif
o Un site Internet avec une page citoyenne (www.ccpf.info/citoyennete/municipales2008.html) et compteur évolutif du nombre d’inscrits sur les listes complémentaires
o Une newsletter
o Un spot TV et un spot RADIO pour les médias lusophones de France
o Des communiqués de presse réguliers annonçant l’évolution de la situation
o Des actions sur le terrain avec les mairies et les associations
o Et surtout une semaine d’action du 1er au 8 décembre, entre la journée mondiale de lutte contre le Sida (1er décembre) et le Téléthon (7 et 8 décembre), pour mobiliser au maximum les européens moins d’un mois avant la clôture des inscriptions.

Note : deux compteurs pour deux chiffres :

1. les derniers chiffres du ministère de l’intérieur indiquaient, en octobre 2007, 63 374 portugais « mononationaux » inscrits sur les listes électorales complémentaires.
2. Dans le cadre de sa campagne de citoyenneté, la CCPF va recevoir des informations venant des associations, des mairies et du public en général, qui vont permettre d’alimenter le compteur de progression des inscriptions de ressortissants portugais sur les listes électorales complémentaires, jusqu’au 31 décembre 2007.

Documents accessibles :

* Affiche
* Dépliant
* Communiqués de presse
* Tableaux détaillés avec les chiffres mentionnés
*
Interview de Bertrand Delanoë lors de la 4ème Rencontre Nationale des Associations Portugaises de France le 20 octobre 2007 (Source CLPTV) (www.ccpf.info/citoyennete/municipales2008.html)

Présentation de la CCPF:

Au service des associations, La Coordination des Collectivités Portugaises de France (CCPF), centre de ressources et tête de réseau, aide les structures de leur création au nécessaire développement de projets.

La CCPF développe ses actions autour de différents axes :

* Appui aux associations : divulgation d’événements, contacts, aide à la recherche de financements, prêt d’expositions, etc.
* Projets Culturels : Festival Tous en Scène (Théâtre, Musique, Contes, Cinéma), Rencontre Nationale d’Associations Portugaises et Lusophones de France, Folkbastille etc.), divulgation de la Lusophonie.
* Jeunesse : Rencontre Européenne de Jeunes Lusodescendants.
* Histoire de l’immigration et transmission de la Mémoire.
* Information et défense des consommateurs au travers des associations sur les thématiques: retraite, fiscalité, loisirs, services.
* Citoyenneté : défense de la langue, sensibilisation à la participation citoyenne, accès aux droits et lutte contre les discriminations.
* Informations générales: www.ccpf.info


Sources :

* Ambassade du Portugal
* Ministère de l’intérieur
* Presse générale
* INSEE

Partenaires :

Ministère de la Jeunesse – ACSE – Région Île De France – Mairie de Paris – RTP Internacional – CLPTV – Luso.fr – CAPMag – Radio Alfa

Informations :
Marie-Hélène VIEIRA – CCPF
01 44 62 05 04
mh.vieira@ccpf.info
www.ccpf.info

1 nov. 2007

Pouvoir d'achat


In Charlie Hebdo, 31 octobre 2007

Canção do desterro (Emigrantes)

Vieram cedo
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Não voltamos cá
O mar é tão grande
E o mundo é tão largo
Maria Bonita
Onde vamos morar

Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Não é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar

Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair

A beira de água
Me criei um dia
- Remos e velas
La deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia
Maria Bonita
Onde vamos viver

Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
que foi e não veio
Maria Bonita
Onde vamos morar

Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar

Vinham de longe
Todos o sabiam
Não se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer

José Afonso, in Textos e Canções, Assirio & Alvim, 1983

30 oct. 2007

Blogs de interesse público

Descobri que este blog tem ligação com a Alfarrobeira: inGENEa - http://ingenea.pegada.pt
Dá explicações científicas sobre os OGM e o perigo possível da sua utilização assim como informação sobre os OGM no mundo.
Outro blog também é muito digno de interesse: GAIA - Acção e Intervenção Ambiental - http://gaia.org.pt

29 oct. 2007

Cortes de Cima (não resisto!)

Calendário de Eventos

03-11-2007 - Encontro com o Vinho e Sabores

Assim já não tem que sair de Lisboa para provar todos os nossos vinho. Marque no seu calendário o dia 3 de Novembro e venha-nos visitar ao "Encontro com o Vinho e Sabores" que decorrerá no Centro de Congressos de Lisboa, Junqueira de 3 a 5 de Novembro.

Procure por nós no Stand 128

09-11-2007 - ViniPax 2007 - Vinho e Sensações do Alentejo

Irá decorrer de 9 a 11 de Novembro a 1.ª Edição da Vinipax - "Vinho e Sensações do Alentejo" que terá lugar no Parque de Feiras e Exposições de Beja.
Não perca esta oportunidade de visitar o nosso stand, provar os nossos vinho e quem sabe trocar algumas palavras com o próprio enólogo.

Horário do Evento:
Das 10:00 às 23:00 - Dia 9 e 10 (Sexta-feira e Sábado)
Das 10:00 às 21:00 - Dia 11 (Domingo)


08-12-2007 - Almoço de Natal Dinamarquês e Prova de Vinhos

Organize uma saída de fim-de-semana no Alentejo, no início de Dezembro e entre no espírito de Natal!
O Chefe, Bjarne Otto, irá servir um bufete tradicional Dinamarquês de Natal, que será acompanhado com um copo de vinho, ao mesmo tempo que vai apreciando a paisagem de inverno da nossa vinha.

Também estaremos a servir os outros vinhos que estarão à venda na loja. A nossa loja estará aberta se quiser levar uma excelente prenda de natal para casa.

Preço: 60 € (crianças: <10 anos grátis; entre 10-20 anos 20 €), inclui almoço Bufete, Vinhos, Águas e Café servidos entre as 13:00-16:00 horas.
Pagamento: efectuado por transferência bancária ou então por cheque em nome de Casa Agrícola Cortes de Cima, até dia 01 de Dezembro.

Lugares limitados! Para reservar, o seu lugar, contactar a Patricia por telefone 284 460 060 ou por e-mail para admin@cortesdecima.pt .

Menu de Natal Dinamarquês

Sortido de arenques de escabeche
‘Gravad Laks’ com molho de mostarda
Filetes de peixe frito com remoulade
Almôndegas de porco Dinamarquesas com salada de pepino
Pasta de fígado caseira com cogumelos e bacon
Porco assado com couve roxa
Sortido de queijos e fruta
Pudim de arroz e amêndoa com molho de cereja (Riz à l’amande)

Vinhos
Chaminé
Cortes de Cima
Syrah
Trincadeira
Aragonez
Hans Christian Andersen
Reserva

In www.cortesdecima.pt

Queremos Jogos na maior prisão do mundo?

17 oct. 2007

Journée Mondiale contre la misère



Chacun pour soi, tout le monde s'en fout, c'est la loi du Capitalisme...

Mais on donne la charité pour les bonnes oeuvres et on va à l'Église... Histoire de soulager sa conscience et de maintenir les pauvres là où ils sont (dans la merde), juste ce qu'il faut pour que la tête dépasse...

Crónica de Alberto Matos

Das Astúrias…só os mineiros!

Beja viveu ontem um dia anormal. A circulação automóvel esteve cortada no centro da cidade, num grande anel que ia do Hospital Velho ao Balneário, passando pelo Largo dos Correios e por trás do Jardim Público. Não era o Dia sem Carros que, aliás, tem caído em desuso, nem se tratava de devolver a rua aos peões. De tanta fartura, o pobre desconfia, dizia uma mulher nas Portas de Mértola… E, em cada esquina deste vasto perímetro, um polícia. Era a visita oficial dos “príncipes das Astúrias”, Felipe e Letícia, arrastando consigo a histeria securitária que sempre os acompanha e se vem reforçando, com o crescer da contestação à monarquia em Espanha.

Protocolo de Estado ou mera cortesia, dirão alguns. No exercício do direito ao contraditório, dedico esta crónica a todos os bejenses que não se revêem na comédia real que teve lugar nas imediações da Praça da República, nem na entrega da chave de ouro da cidade aos últimos representantes da dinastia de Bourbon, com um enorme rasto de despotismo por quase todas as cortes europeias. Este gesto não honra a cidade, nem o presidente PCP da Câmara Municipal, nem o cidadão que estava ao seu lado e ocupa, provisoriamente (é assim na República!), a chefia do Estado português.

Esta visita dos Bourbon ao Alentejo foi justificada pela entrega do prémio “Ponte de Alcântara” ao empreendimento de Alqueva, “distinguindo a competência da engenharia portuguesa e os poderes públicos” que o executaram. Um bom pretexto, dirão. Infelizmente, Sua Alteza não pediu desculpa pelo facto de a nascente dos Olhos do Guadiana, a 800 Km da foz, estar seca devido à existência de 60 mil furos clandestinos, donde são extraídos 1200 hectómetros cúbicos de água – 93% dos quais utilizados na agricultura de regadio intensivo. E os agrários espanhóis estão a praticar, no perímetro de Alqueva, o mesmo regadio intensivo, aproveitando a quota portuguesa do azeite, entre outras.

Este alerta não tem nada de nacionalista: é claro que o desenvolvimento sustentável é um combate global e, neste caso, deve ser travado conjuntamente dos dois lados da fronteira. Aliás, foram as ONG espanholas “Ecologistas em Acção”, Greenpeace, SEO/Life e WWF/Adena que denunciaram o desastre nos aquíferos subterrâneos de Castela-La Mancha, no Alto Guadiana: a extracção maciça de água para rega interrompeu o caudal normal do rio na província de Ciudad Real e as primeiras águas que este recebe são originárias do afluente Bullaque, a mais de 120 Km da nascente original. E o desastre prolonga-se até Badajoz – cidade com mais de 150 mil habitantes, cujos esgotos são despejados na albufeira de Alqueva quase sem tratamento. A situação é tão grave que o Ministério do Ambiente espanhol já deu instruções à Confederação Hidrográfica do Guadiana para travar a captação de água dos aquíferos subterrâneos. Resta saber se, no âmbito do Convénio Luso-Espanhol, o governo português vai manter a tradicional posição de vénia face a Madrid.

Em Alqueva, Felipe de Bourbon discursou sobre a urgência de “lançar novas pontes” entre os dois países, mas calou-se sobre a arrogância espanhola em relação às obras da velha Ponte da Ajuda. Como já não estamos em época de “conquistas e reconquistas”, uma dessas pontes pode e deve ser Olivença, travando a ameaça de exterminação da língua portuguesa, agravada pelo franquismo com a sua proibição na escola pública e prosseguida até hoje. Mas há sinais encorajadores, como alguma abertura recente das autoridades locais, bem como o interesse de jovens oliventinos em redescobrir as suas raízes histórico-culturais portuguesas e alentejanas. Que Portugal não tenha vergonha de colocar o problema diplomático, assim como Espanha não a tem em relação a Gibraltar.

Voltando à monarquia e aos Bourbon, decapitados pela Revolução Francesa em nome da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade: a História já provou à saciedade que, se é altamente improvável a um rei estadista suceder outro estadista, é bem provável que a um imbecil suceda outro imbecil. Até em Inglaterra a monarquia está em crise, utilizando ou destruindo (se for caso disso), “princesas do povo” como Diana ou Letícia. E, se à boleia de um Saramago, passou pela cabeça do príncipe das Astúrias ser o “nosso” Filipe IV, é melhor ir tirando o cavalinho da chuva! Até porque a contestação à sua monarquia nunca foi tão grande, sobretudo nos jovens, da Catalunha à Andaluzia, da Galiza a Euskadi e ao coração de Madrid. Em memória dos mártires da República e dos revolucionários garroteados há 32 anos, no último suspiro de Franco: “España, manãna, será republicana!”.

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 16/10/2007