2 déc. 2006

A minha lingua



A minha lingua
Sabe a terra
Com laivos de mar
Irradia da Peninsula
E favela
Sabe a China e a Timor
Oriental.
Tem a cor mesclada da pele
Declina todas as estaçoes do Tempo
E Sul a agarrar no Norte
E Norte a Sul do Tempo.

A minha LINGUA... sente-la?

E corda de guitarra
A gemer em Coimbra
Voz de saudade a transbordar
Da Alfama
Mulher que se vê ao espelho
Na morna
E estremece ao som
Do batuque e do Samba.

Virgem que se desflora
Nas vinhas
E cruz que se planta na savana
A minha LINGUA
E trasmontana
Que sobressalta ao som
do swahili.

E grito de mulher
A dar à luz em Goa
E berro de criança
A brincar em Dili.

A minha LINGUA
E a de Camoes e Virgilio
Mia Couto e Teobaldo
Virginio
Vinicius e Gedeao
E a do poeta que canta
Ha sempre alguém que resiste
Ha sempre alguém que diz nao.

A minha LINGUA é arquipélago
E continente
Fusao dos hemisférios
Sonho adjacente

E dessa LINGUA
Que vejo o mar
O mar que a levou ao mundo
E me ensinou
A sussurrar
Os segredos que o mundo
Deu à minha LINGUA
Para ela devolver ao mar.

E onde quer que me encontre
Ponto cardeal, eixo, fuso,
Horizonte
E em português que ouço
O grito dos passaros
O murmurio da fonte
O apelo dos barcos
O sonho alucinante da noite.

Cristina Semblano, in A minha LINGUA,Editions Lusophones

26 nov. 2006

Os gémeos Duarte


"Se hà alguma coisa que torna suportaveis os atrasos nos aeroportos, sao as pessoas, essa curiosa raça espontânea irmanada pela ira e pela ausência de defesa que, passadas as primeiras horas perdidas, se distende, murmurando que para tudo hà remédios menos para a morte e entrando nas confidências.

Num destes jà rotineiros atrasos no aeroporto de Madrid, vencida a vontade de armar um escândalo inutil, decidi dormir sobre um dos duros assentos desenhados por criminosos da modernidade. Mal tinha fechado os olhos quando uma cotovelada nada discreta mos fez abrir de novo. _ Vai uma golada? _ disse o homem. Era mais ou menos da minha idade e oferecia-me um cantil forrado de cabedal castanho.

Aceitei. Hà muito que nao sentia o sabor da aguardente de cana, esse alcool proletario que nao tem o aroma do bagaço nem o fervor da cachaça, mas que sempre me soube a gloria nos dias chuvosos de Montevideu.

Devolvi-lhe a garrafa e depois apertamos as maos.

_ Duarte _ disse ele, e respondi-lhe com o meu apelido.
Era uruguaio, voava primeiro para Frankfurt e de là para Moscovo, onde pensava adquirir utensilios circenses.

_ Os russos tinham bons circos mas desmontaram-nos, privatizaram-nos e foram-se. Até a escola de circo foi fechada. Que os pariu!_ queixou-se Duarte.

O que sei de circos é muito pouco e suponho que ele notou a minha contrariedade, porque me mostrou uma fotografia em que se viam dois trapezistas exactamente iguais.

_ Somos os gémeos Duarte. Hà-de ter ouvido falar de nos. Viajavamos por toda a América com o Circo Las Aguilas Humanas. Somos nos, os gémeos Duarte.

Enfiamos outra golada. De que é que se fala com um trapezista?

_ Puxe pela memoria. Os gémeos Duarte. Estivemos varias vezes no seu pais, quando a estrela do circo era o fabulosissimo Cappi.

Chegou-me entao à memoria um sabor a pombinhas, a serradura, e as recordaçoes de uma infância jà bastante longinqua com ferros e rede de arame, dentro da qual um motociclista desafiava a gravidade numa interminavel e veloz viagem circular.

_ O motociclista?
_ Esta a ver como se lembra de nos?
Sim. De que é que se fala com um trapezista? Perguntei-lhe pelo outro da fotografia.

_ Sabe-se là. Pode estar morto. E pode ser que nao. Um dia, em 74, estavamos a actuar em Colonia do Sacramento quando as tropas invadiram o circo. Levaram-nos a todos, os palhaços, o homem de borracha, o domador de tigres, o magico, os musicos. Toda a gente para o quartel para prestar declaraçoes, e, à medida que o faziamos, iam-nos soltando, até que um tropa disse que o meu irmao Telmo nao era uruguaio nem trapezista, mas sim argentino e guerrilheiro.

Defendemo-nos como pudemos, mostramos certidoes de nascimento, recortes de jornais internacionais, pedimo-lhes que olhassem para nos, éramos iguais, mas eles insistiram e levaram-no para o outro lado do Rio de La Plata. Nunca mais soube dele.

A cana é amarga, como a historia que gota a gota vai caindo num mar que nos querem apresentar em calmaria.

Depois da prisao do irmao, Duarte nao abandonou o circo. Continuou pendurado nos trapézios, imaginando que as maos firmes que o recebiam depois do triplo salto mortal eram as do seu duplo.Assim, a vida continuou no ar e tambem na terra, porque se casou e_ gloriosas sejam as leis da genética _ a mulher teve um par de gémeos assombrosamente iguais.

_ Este chama-se Telmo, como o meu irmao, e este outro é Rolo, como eu. Os gémeos Duarte _ disse com orgulho me exibia um programa de circo que os mostrava vestidos com malhas coloridas e saudando o pùblico com as maos cheias de pez.

Por fim uma voz chamou-nos para o embarque, e deixei Duarte na sala do aeroporto. Desejei-lhe sorte, que encontrasse os seus trapézios em Moscovo, que nunca lhe falhassem os amuletos protectores e que saudasse da minha parte os Gémeos Duarte, cavaleiros do ar livre e inocente dos circos".

Luis Sepulveda, in As rosas de Atacama, Ediçoes ASA.

L'Europe des patrons et des actionnaires



Eu sou cliente de um bar-restaurante português em determinada cidade francêsa desde o principio dos anos 90...


Nascido em Portugal em 1966, cheguei aqui em 1974...

Ultimamente vejo aqui neste Bar, portugas que chegam, que foram e voltaram, outros que nunca tinham emigrado... Perdidos, saudosos, de olhos vazios...

O Império ultra-liberal tem destas andanças...

E os infelizes regressam a França, empurrados pelo o desemprego que jà traz miséria aqui aos franceses...

Enquanto eu, quero regressar ao Algarve...

Que me importa o desemprego, os chatos, os fascistas, o PS, os racistas...
Sou algarvio, e nao me venham chatear, na Serra algarvia...

23 nov. 2006

Nieleny 2007, Forum Mondial pour la Souveraineté Alimentaire



Plus de 860 millions de personnes souffrent chroniquement de la faim. 30 millions de personnes en meurent. Paradoxe insupportable, les trois-quarts de ces personnes sont des paysannes et des paysans sensés « vivre de l’agriculture ». Les politiques néolibérales imposées par l’OMC depuis le milieu des années 1990 n’ont fait qu’aggraver la crise économique qui frappe des centaines de millions de personnes, dans les pays du sud comme dans les pays du nord. En démantelant les protections douanières, elles ont créé les conditions d’un vaste marché mondial où les multinationales règnent en maîtres.

Un collectif regroupé autour des Amis de la Terre International, de Vía campesina, de la Marche des Femmes, des Réseaux Mondiaux d’Artisans pêcheurs, s’est créé pour organiser Nyéléni 2007, le forum mondial pour la souveraineté alimentaire.

600 délégués, originaires des cinq continents et représentant les secteurs de la société intéressés par les questions agricoles et alimentaires, viendront au Mali en février 2007. Cette rencontre permettra de réaffirmer le droit à la souveraineté alimentaire et de préciser ses implications économiques, sociales, environnementales et politiques. Elle visera également à mettre en place une dynamique internationale pour obtenir une reconnaissance effective du droit à la souveraineté alimentaire. Les organisateurs ont souhaité que cette rencontre se réalise en Afrique où l’agriculture occupe une place centrale et où de nombreuses familles paysannes et urbaines souffrent de la faim malgré les ressources naturelles importantes.

Le choix s’est naturellement porté vers le Mali, pays démocratique où les organisations de la société civile, qu’elles soient associatives ou syndicales, jouissent d’une liberté d’action et d’expression. Le Mali est l’un des premiers pays de la planète à avoir fait de la souveraineté alimentaire l’objectif prioritaire de sa nouvelle loi d’Orientation Agricole.

Nyéléni 2007 se déroulera à Sélingué, petit village situé à 90 minutes de Bamako. Le choix de ce lieu nécessitera la construction d’un centre d’hébergement, composé de cases traditionnelles et de cases améliorées, pour loger une partie des délégués. Ces infrastructures seront récupérées par les organisations maliennes associées à l’événement afin de servir de Centre de formation et de rencontres. Au delà des questions agricoles et alimentaires, Nyéléni 2007 veut créer les conditions d’émergence d’un vaste débat citoyen sur la souveraineté alimentaire, loin des corporatismes et de la défense des intérêts sectoriels.

VÍA CAMPESINA remercie les nombreux artistes qui ont accepté de soutenir Nyéléni 2007. La diversité de leurs musiques et de leurs chansons s’enracine dans les cultures paysannes encore bien vivantes sur notre planète. Leur aide et votre soutien nous permettront de concrétiser ce projet politique qui nous tient à cœur.

José Bové - Vía Campesina

18 nov. 2006

Alea jacta est...



Sarko ou Ségo, quel avenir pour les citoyens de France (et pour les sous-citoyens, les rmistes, les étrangers, les SDF, les "travailleurs pauvres", les salariés précaires (en CAE, Contrat d'avenir...)?
Les politiques arrêteront-ils d'être autistes en 2007?
A quand une revalorisation du SMIC et une taxation de la Bourse et du Capital?
Certainement pas avec Sarko, le premier flic de france et admirateur de G.W. Bush...

14 nov. 2006

Algures em França, restaurante português


Este blog nao é um diario, usa "flashbacks" quando faz falta...

Amigos do B.E., ultimas legislativas, circulo eleitoral da Europa...

13 nov. 2006

En R.T.T...


Je savoure la possibilité de quelques jours de vacances (ou plutôt de RTT) depuis mercredi dernier.
Cela me donne un peu plus de temps pour mettre à jour le blog... et aussi pour me reposer, flâner, lire, et prendre des contacts pour un bilan de compétences.
En effet, mon boulot me pèse, je voudrais faire autre chose et surtout ailleurs, quelque part au sud de l'Europe...
Il est temps je crois, et le temps je l'ai pris... depuis lâge de 20 ans, pour me décider à repartir là-bas d'où je suis...
"On est tous nés quelque part", et les racines pour moi sont plus fortes, même si aujourd'hui, on pourrait me rétorquer que je suis plus français que portugais.
Mais mon sang m'appelle, mon pays, dont j'aimerais parcourir chaque recoin, chaque parcelle de terrain, comme l'a à peu près écrit Miguel Torga dans "La Création du monde".
Je me répète cela comme une litanie tous les jours, est-ce pour mieux m'en convaincre, est-ce pour rendre réel ce désir?
Là-bas, les temps sont durs, le chômage, la vie chère, mais cela peut-il encore compter pour moi aujourd'hui?

Après tout, les temps sont durs partout, et plus encore en Afrique, par exemple...

La France m'a beaucoup apporté, je retiendrai toujours les rencontres rendues possibles, la culture, l'espace de liberté (malgré la Big Brotherisation ambiante, actuellement commune à tous les pays où le Libéralisme est au pouvoir), l'apprentissage de la critique, de la pensée et de la lutte politique...

Mais bon, on n'en est pas encore là...
La démarche est en route..