14 févr. 2007

Portugal entrou no século XXl

Abril em Fevereiro…

Na madrugada de 11 para 12 de Fevereiro, no rescaldo da vitória do SIM, perguntava-me uma jovem, via Internet: “Foi assim que viveste o 25 de Abril”? Ultrapassado o efeito surpresa da pergunta, lá respondi que a situação era muito diferente, não havia propriamente uma guerra nem uma revolução, etc.… E, depois de alguns “argumentos racionais”, concluí: “Sim, o que tu estás a sentir deve ser muito parecido com o que a minha geração viveu no 25 de Abril”. Manuel Damásio explicará melhor as conexões entre razão e emoção mas, para boa parte dos “filhos da revolução”, nascidos a partir da segunda metade da década de 70, este 11 de Fevereiro foi “o seu 25 de Abril”. E, convenhamos, para muitos “kotas” como eu, este é uma espécie de “segundo 25 de Abril” – pelo menos no sentido da entrada de Portugal na modernidade do século XXI.
A vitória política do SIM no referendo é inquestionável. Valeu a pena a paciência democrática de oito anos de espera pela “segunda volta” do referendo de 1998. E não foi fácil, exigiu muito esforço e perseverança. Recordo o movimento cívico que, em 2004, apresentou à Assembleia da República uma petição com mais de 125 mil assinaturas por um novo referendo, ignorada por uma maioria em que pontificavam Durão Barroso, Paulo Portas, Marques Mendes e Bagão Félix. Eles tinham todas as razões para temer o referendo, como agora ficou demonstrado. E, se não atingimos ainda os 50% de participação que o tornariam formalmente vinculativo, a abstenção recuou 12 pontos e o quase “empate técnico” de 1998 deu lugar a uma vantagem de mais de 18% para o SIM!
O parlamento tem inquestionável legitimidade política para legislar no cumprimento da vontade expressa do eleitorado: “a despenalização da IVG, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado”. E não é despiciendo que esta legitimidade tenha sido confirmada nas urnas. Ao ouvir alguns assanhados partidários do NÃO, na noite da derrota, pressentia-se a saudade dos “velhos tempos” de Salazar, quando a abstenção foi contabilizada como um voto a favor da Constituição de 1933… Felizmente não são essas as regras da democracia, cujos riscos valem sempre a pena e cujos custos só podem ser contabilizados como benefícios. É que se o parlamento alterasse a lei sem novo referendo, não faltariam os cortejos e as romarias por esse país fora. Assim, ficam as lamentações…
É verdade, no que toca à reparação das injustiças contra as mulheres e no apoio à maternidade, consciente, que há muito por fazer. Mas, a partir de agora, abrem-se novos horizontes, a começar por uma lei justa que quebre o isolamento da mulher no momento da sua decisão mais difícil e almeje a redução drástica do aborto clandestino. Um novo impulso ao planeamento familiar só pode começar por uma educação sexual informada e desinibida nas escolas – a clandestinidade e o sentimento de culpa são sempre os piores conselheiros, nesta como noutras áreas.
A vitória do SIM tem ainda outro significado profundo: a afirmação dos valores da República e do Estado laico, o princípio da separação das Igrejas do Estado que é vital para a própria liberdade de todos os cultos e da propaganda religiosa ou anti-religiosa. Isto é, o Estado democrático não pode nem deve conformar-se ou acolher uma particular concepção ético-religiosa e dar-lhe força de lei, como acontecia até hoje com a questão do aborto em Portugal. E é justo salientar o contributo de muitos católicos nesta decisão histórica do povo português, ao recusarem o condicionamento da sua consciência por uma hierarquia retrógrada: além das ameaças de excomunhão de alguns bispos, o próprio Papa – SS Ratzinger – chegou ao desplante de equiparar aborto e terrorismo. Só por pudor ou alguns telhados de vidro não terá falado no Holocausto, como o Bispo de Bragança em 1998…
Saúdo as vozes corajosas de leigos e membros do clero em defesa do SIM, da tolerância e da dignidade das mulheres, tratadas como cidadãs de segunda classe pela hierarquia – quando é que acabará a expiação do “pecado original”? Não é assunto que me toque particularmente, mas alarga-se o conflito entre uma Igreja que opte por calçar “as sandálias do pescador” e a sua hierarquia, comodamente instalada no trono de Roma – o mesmo que lançava o povo cristão ás feras!
Por último, uma saudação muito especial a todas e a todos os que integraram e/ou subscreveram a plataforma “BEJA pelo SIM”, aberta do primeiro ao último dia, sem nenhuma discriminação. Podem orgulhar-se do seu contributo cívico para a expressiva vitória do SIM no nosso distrito.

Alberto MatosCrónica semanal na Rádio Pax – 13/02/2007

10 févr. 2007

A história da emigração portuguesa em França





Há aqui o projecto de uma projecção-debate com o realizador português José Vieira acerca do seu filme "La photo déchirée" no dia 24 de março de 2007.
O debate procurará fazer a ligação entre a emigração portuguesa da época e os problemas de hoje, na "Europa Fortaleza".
Convites serão feitos por escrito na comunidade portuguesa e assim como nas outras comunidades da região de Orléans.

Está na hora de dizer SIM...

Hora H

Ao fim de uma semana de campanha e a cinco dias do Referendo sobre a despenalização do aborto, já é possível fazer um balanço. A primeira constatação é que muita coisa mudou nestes oito anos e meio: o NÃO vencedor em 1998, por uma estreita margem, carrega às costas um pesado fardo que bem tenta alijar, mas sem êxito. Na nossa memória colectiva estão as imagens dos julgamentos de mulheres na Maia, em Setúbal, em Aveiro, em Lisboa… Eis o resultado inevitável da actual lei que investiga, devassa, julga e criminaliza as mulheres vítimas de aborto clandestino com uma pena de prisão até três anos, segundo o artigo 140.º do Código Penal. Os que hoje querem que tudo fique na mesma são os mesmos que em 1998 MENTIRAM com todos os dentes quando garantiram que mais nenhuma mulher seria julgada – e uma mentira com dolo, pois sabiam que nada podiam prometer.
Hoje, vendo que o povo português abomina estes julgamentos que nos colocam na cauda da Europa, vêm com falinhas mansas repetir a mesma mentira. Primeiro foi o prestidigitador Marcelo no site “Assim Não”: em causa não estaria a despenalização do aborto, mas sim a sua liberalização. Dele tratou, de forma exemplar, Ricardo Araújo Pereira na rábula do “Gato Fedorento”. Pergunta a menina de Cascais: “O aborto é uma coisa extremamente horrível, não é, professor? É! E devia ser proibido? Exacto! Mas eu poderia fazê-lo? Podia! E o que é que me acontecia? Nada!”.
À boleia de Marcelo vem, no último fim-de-semana, Marques Mendes prometer uma alteração ao Código Penal, desde que o NÂO ganhe… “Ganda nóia!” Só que o PSD foi governo durante três anos e nada fez para reduzir as penas e, menos ainda, para evitar os julgamentos de mulheres. Pior: em 2005, com o CDS, votaram contra uma petição de mais de 120 mil cidadãos que solicitava a realização de um novo referendo sobre o aborto. Ou sejam: querem que tudo fique como está!
Na mesma onda de uma pseudo despenalização, um novel intelectual português, recentemente doutorado em Navarra, declarava ao “Expresso” de 27 de Janeiro: “O aborto deve ser um crime sem pena. É um problema de consciência. Sou pela despenalização, mas há que reprovar a sua prática.” Adivinhe quem é o autor: já morou em Belém mas regressou á Madre de Deus. Exactamente: Ramalho Eanes. Crime sem pena? Julgará o senhor general que vive numa república das bananas? A coisa soava mais autêntica quando o homem das patilhas ainda usava óculos escuros…
Na mesma linha, as deputadas independentes do PS, propõem que não haja pena de prisão efectiva, desde que a mulher se confesse criminosa e peça perdão á sociedade; nesse caso, a prisão poderia ser substituída por uma espécie castigo de “serviço social”. Ainda me consigo espantar com esta proposta, vinda de mulheres inteligentes e supostamente caridosas, como Maria Rosário Carneiro: querem impor uma penitência à mulher, confundindo o Estado com o Templo! Deviam reflectir nas palavras de Jesus Cristo: “A César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Infelizmente, continuam a encarar-se a si próprias com o complexo das “filhas de Eva” – a primeira pecadora – e desconfiam do livre arbítrio da mulher que só pode trazer “perturbação” à sociedade. A que distância ficam do artigo notável de Frei Bento Domingues “Por opção da mulher”: “Para os cristãos, esta desconfiança em relação às mulheres deveria ser insuportável. Não foram as mulheres que testemunharam que Jesus estava vivo, quando os Apóstolos já tinham concluído que estava tudo acabado? Não foi Maria Madalena a escolhida, por Jesus para evangelizar os Apóstolos?”.
Basta de hipocrisia! Quase prefiro a franqueza de um Fernando Santos ou de um Gentil Martins que defendem que uma mulher, mesmo vítima de violação ou transportando uma malformação do feto, deve ser obrigada a carregar a gravidez até ao fim! E condenada a pena de prisão, pois claro, se ousar interrompê-la. Há uns séculos, iriam para a fogueira. Hoje, podem dar-se por satisfeitas por irem parar às Mónicas ou a Custóias… Mas essa ameaça só pode ser definitivamente varrida com a vitória do SIM no próximo dia 11 de Fevereiro.
Em julgamento vão estar também a ausência duma verdadeira política de planeamento familiar e de uma educação sexual realista e desinibida. No banco dos réus, entre outros, estão Mariana Cascais e Bagão Félix, o ministro mais anti-social desde o 25 de Abril e que hoje chora lágrimas de crocodilo pelos gastos com a despenalização do aborto… O povo não pode desperdiçar esta oportunidade soberana para varrer as réstias do Portugal salazarento que alguns tentam ressuscitar.

Alberto MatosCrónica semanal na Rádio Pax – 06/02/2007

31 janv. 2007

Le livre du mois

L'Horreur sécuritaire. Les Trente Honteuses

Jean-Marc Fédida
Edition Privé
"Le thème de l'insécurité a servi à justifier des législations de plus en plus répressives qui menacent les libertés individuelles, estime l'avocat Jean-Marc Fédida dans cet essai provocant sur les limites de l'Etat de droit. Me Fédida montre comment tous les ministres de l'Intérieur, de Chevènement à Sarkozy, ont poussé la même conception guerrière de l'ordre public, qui fait du délinquant un ennemi et du citoyen un suspect potentiel. Une analyse salutaire, malheureusement ponctuée par des formules à l'emporte-pièce (exemple: «Les nazis en rêvaient, nous l'avons fait», à propos de la biométrie) qui plombent parfois la démonstration".
Gilbert Charles

D'autre part, que signifient les injonctions des États dirigés par les ultra-libéraux, à propos de la sécurité routière, le tabac, la santé en général?..

Tiennent-ils réellement beaucoup à notre santé, ou se cache-t-il derrière cette sollicitude un objectif inavoué?
Que signifie cette intrusion de l'État dans la sphère du privé?
Sommes-nous des enfants, pour ne plus pouvoir décider nous-mêmes de notre vie?

Certains affirment qu'en réalité cette stratégie était déjà celle des faucons ultra-libéraux américains contre les Démocrates, lors de leur arrivée au pouvoir: regardez! Nous on s'occupe de vous, du peuple, alors qu'eux, qui se disent proches du peuple, sont en réalité des nantis, élitistes, et autistes devant votre souffrance.

Se laissera-t-on aussi bercer par cette comptine rusée et cynique?

No comment

Palmarès Festival BD d'Angoulême 2007

Palmarès officiel du 34e Festival International de la Bande Dessinée d'Angoulême

PRIX DU MEILLEUR ALBUM

Non Non Bâ, de Shigeru Mizuki – Cornélius

LES ESSENTIELS
Black Hole, de Charles Burns – Editions Delcourt
Lucille, de Ludovic Debeurme – Editions Futuropolis
Lupus, de Frederik Peeters – Editions Atrabile
Le photographe, de Emmanuel Guibert, Didier Lefèvre, Frédéric Lemercier – Editions Dupuis
Pourquoi j’ai tué Pierre, de Olivier Ka et Alfred – Editions Delcourt
« Révélation » :
Panier de singe, de Jérôme Mulot et Florent Ruppert - L’Association

PRIX DU PATRIMOINE
Sergent Laterreur, de Touïs et Frydman - L’Association

PRIX DECOUVERTES
Prix jeunesse 7/8 ans

Tigres et nounours, de Mike Bullock et Jack Lawrence – Editions Angle comics / Bamboo

Prix jeunesse 9/12 ans
Seuls Tome 1 - La disparition, de Bruno Gazzotti et Fabien Vehlmann – Editions Dupuis

Prix Jeunes talents
• Premier lauréat : Kyung Eun Park
• Deuxième lauréat : Grazia La Padula
• Troisième lauréat : Dominique Mermoux

Prix de la BD scolaire de la Caisse d’Epargne
• Lucrèce Andreae – Lycée François Magendie de Bordeaux (Gironde)
• Catégorie Humour : Juliette Mancini – Lycée Jean-Paul Sartre de Bron (Rhône)
• Catégorie Graphisme : Louis Donnot – Lycée de Lagny sur Marne (Seine & Marne)
• Catégorie Scénario : Luca Oliveri – Lycée Gabriel Fauré d’Annecy (Haute Savoie)

Prix Loisirs éducatifs et BD du Ministère de la Jeunesse, des Sports et de la vie associative
• Maison de la culture et des loisirs de la Roche Posay (Vienne)
• Centre de loisirs de Saint Xandre (Charente Maritime)
Tickets Sports Loisirs (Morbihan)
• Centre social et culturel « Les épis » (Meurthe & Moselle)

Prix BD des collégiens de Poitou-Charentes
• Khéti, fils du Nil Tome 1 Au delà des portes, de Dethan et Mazan – Editions Delcourt jeunesse

PRIX DU PUBLIC

Pourquoi j’ai tué Pierre, d’Olivier Ka et Alfred – Editions Delcourt

PRIX FANZINES ET BANDE DESSINEE ALTERNATIVE
Canicola, fanzine italien de Bologne

LES PRIX PARTENAIRES
Grand prix RTL de la bande dessinée

Henri Désiré Landru de Christophe Chabouté - Editions Vents d’Ouest

Prix ''René Goscinny''
Lucille de Ludovic Debeurme – Editionss Futuropolis

Prix ''Décoincer la bulle'' des centres E.Leclerc et Bodoï
• Christophe Marchetti pour La Tranchée – Editions Vents d’Ouest

Prix ''Regards sur la ville'' de l’Office Franco-Québécois pour la Jeunesse et le Festivval de la Bande Dessinée Francophone de Québec
• Jean-François Barthelemy et Francis Desharnais

27 janv. 2007

História exemplar


"Entrei.
- Tire o chapéu - disse o Senhor Director.
Tirei o chapéu.
- Sente-se - determinou o Senhor Director.
Sentei-me.
- O que deseja? - investigou o Senhor Director.
Levantei-me, pus o chapéu e dei duas latadas no Senhor Director.
Saí."

Mário Henrique Leiria, in Contos do Gin-Tonic, Editorial Estampa

Festival de la BD d'Angoulême 2007 (Sélection 2007)

AVANT LA PRISON

de Kazuichi Hanawa

Vertige Graphic / Coconino Press

BLACK HOLE

de Charles Burns

Delcourt

CANETOR

de Charlie Schlingo & Michel Pirus

Les Requins Marteaux

CAPUCIN

de Florence Dupré La Tour

Gallimard, coll. Bayou

COMMENT ÇA SE FAIT ?

de Nadja

Cornélius

EN ROUTE POUR SEATTLE

de Peter Bagge

Rackham

FRANK

de Jim Woodring

L’Association

FUN HOME

de Alison Bechdel

Denoël Graphic

GANGES

de Kevin Huizenga

Coconino Press / Vertige Graphic

GEORGES ET LOUIS - PANIQUE AU BOUT DU FIL

de Daniel Goossens

Audie / Fluide Glacial

GYO

de Junji Ito

Tonkam

L’HOMME QUI S’ÉVADA

de Laurent Maffre

Actes Sud

ICE HAVEN

de Daniel Clowes

Daniel Clowes

ILS ONT RETROUVÉ LA VOITURE

de Gipi

Coconino Press / Vertige Graphic

IN THE CLOTHES NAMED FAT

de Moyoco Anno

Kana, coll. Made in

JACARANDA

de Kotobuki Shiriagari

Milan / Kanko

J’AI TUÉ ADOLF HITLER

de Jason

Carabas

KI-ITCHI !!

de Hideki Arai

Delcourt / Akata

KINKY & COSY

de Nix

Le Lombard

LOU

de Julien Neel

Glénat

LUCHADORAS

de Peggy Adam

Atrabile

LUCILLE

de Ludovic Debeurme

Futuropolis

LUPUS

de Frederik Peeters

Atrabile

MAGASIN GÉNÉRAL

de Loisel & Tripp

Casterman

LE MARQUIS D’ANAON

de Fabien Vehlmann & Matthieu Bonhomme

Dargaud

MICHEL

de Pierre Maurel

L’employé du moi

MON FISTON

de Olivier Schrauwen

Éditions de L’An 2

NON NON BÂ

de Shigeru Mizuki

Cornélius

LA NOUVELLE FRONTIÈRE

de Darwyn Cooke

Panini Comics

L’OEIL PRIVÉ

de Blexbolex

Les Requins Marteaux

ORAGE ET DÉSESPOIR

de Lucie Durbiano

Gallimard, coll. Bayou

PANIER DE SINGE

de Jerôme Mulot & Florent Ruppert

L’Association

PASCAL BRUTAL

de Riad Sattouf

Fluide Glacial

LES PASSE-MURAILLES

de Stéphane Oiry et Jean-Luc Cornette

Les Humanoïdes Associés

LA PERDIDA

de Jessica Abel

Delcourt

LE PHOTOGRAPHE

de Emmanuel Guibert - Didier Lefèvre - Frédéric Lemercier

Dupuis / Aire Libre

POURQUOI J’AI TUÉ PIERRE

de Olivier Ka & Alfred

Delcourt

LE SANG DES VOYOUS

de Loustal & Paringaux

Casterman

SORCIÈRES

de Daisuké Igarashi

Casterman / Sakka

UNIVERSAL WAR ONE (UW1)

de Denis Bajram

Soleil Productions

LA VOLUPTÉ

de Blutch

Futuropolis

WIMBLEDON GREEN

de Seth

Le Seuil

WIZZ ET BUZZ

de Winshluss & Cizo

Delcourt, coll. Shampooing

ZIPANG

de Kaiji Kawaguchi

Dargaud / Kana

Festival de la BD d'Angoulême 2007

Le president du jury vient tout juste de terminer les 24 heures de la bande dessinée. Il raconte.

Vous venez de réaliser avec 23 autres auteurs une bande dessinée de 24 pages en 24 heures. Une sacrée gageure…
Oui, c’est épuisant, mais très stimulant. Parce que ce n’est pas une compétition avec un prix à la clé, mais un défi qu’on se lance à soi-même. Et j’aime bien les defis. Je suis un mutant et je ne contrôle pas mes désirs…

Qui a eu l’idée de cette performance ?
C’est un concept de Scott McCloud, l’auteur américain de la bande dessinée L’Art invisible, et je m’en suis inspiré

Comment, où et dans quelles conditions s’est déroulée cette performance ?
D’abord, il y avait un thème imposé : la première case devait être une boule de neige et la dernière aussi. Nous avons travaillé dans une très bonne ambiance, du mardi 23 à 15 heures au mercredi 24 à 15 heures, à la Maison des auteurs. On a beaucoup rigolé par moments, à d’autres, c’était très studieux.

Est-ce que tous les participants ont relevé le défi ? Certains ont un dessin très fouillé alors que d’autres sont beaucoup plus “jetés”…
Le dernier a terminé 50 secondes avant la fin ! Cela dit, tous les auteurs présents travaillent la bande dessinée comme une écriture. Certains ont un dessin plus léché, utilisent la couleur, d’autres pas… Mais chacun a travaillé à son rythme. En ce qui me concerne, j’ai pu dormir pendant sept heures.

Allez-vous éditer ces bandes dessinées ?
Je ne sais pas, je ne les ai pas encore toutes vues. Mais si elles constituent une ensemble cohérent, pourquoi pas ?

24 auteurs, 24 planches ... en 24h !

© FIBD / Lewis Trondheim

24 auteurs, 24 planches ... en 24h !

in www.bdangouleme.com