Un lieu de résistance à la marchandisation du monde et d'immenses saudades de l'Algarve
18 avr. 2007
| Cartaz do PNR: Será que o verniz só estalou agora? | | | |
| 05-Abr-2007 | |
O cartaz do PNR contra os imigrantes é apenas a última etapa de muitas outras já percorridas no culminar de uma estratégia política de há muito traçada pela extrema-direita. O PNR veio não só para recuperar e ressuscitar o legado do salazarismo, mas, mais grave ainda, para reconstruir e recompor os grupos neonazis desestruturados pela dissolução do Movimento de Acção Nacional (cujos crimes o Tribunal Constitucional se recusou a condenar) após os assassinatos de Zé Carvalho e de Alcindo Monteiro, proporcionando-lhes assim uma plataforma de legitimação e de expressão política.Por Mamadou Ba, do SOS Racismo Depois do famigerado concurso que, pateticamente, elegeu Salazar - diga-se de passagem, com a preciosa ajuda da televisão pública e de uns pseudointelectuais; após a tentativa de assalto político à direcção da associação de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - uma lógica sequência dos episódios de terrorismo político baseado na ameaça, na intimidação e na coação física e psicológica ocorridos naquele espaço nos últimos anos e a com complacência dos responsáveis da faculdade; isto sem falar das várias manifestações anti-imigração, homófobas e xenófobas "de apoio e defesa aos emigrantes portugueses na África do sul", contra a entrada da Turquia na União Europeia; depois das ameaças de agressões aos ciganos de Coruche, das posições sobre os brasileiros de Vila de Rei, da campanha pelo museu de Santa Comba Dão, sempre protagonizadas em consonância com a Frente Nacional, uma espécie de braço armado do partido de José Pinto Coelho. Evidentemente que, para revelar a sua verdadeira face, o PNR não podia ter escolhido melhor momento, eis mais um acto de xenofobia e racismo. O PNR alimenta-se desse braço armado, cujo tenente-mor é simplesmente Mário Machado, um criminoso cadastrado e que se tem notabilizado particularmente pela prática de extorsões, agressões, pelas ligações com o tráfico de armas e de droga, etc. Para quem advoga a "pureza" de comportamentos, como pode ter os seus principais responsáveis ligados a este gang de criminosos? Com o cartaz do PNR (partido que nunca cumpriu os requisitos necessários para a sua legalização, limitando-se a comprar as dívidas de um outro partido e beneficiando outra vez da irresponsabilidade do Tribunal Constitucional), assistimos a um coro de indignação perante o desafio partido para afirmar publicamente a sua verdadeira matriz ideológica política, que consiste na celebração do fascismo e na reclamação e glorificação do nazismo. Em suma, este famoso cartaz resulta de uma longa e bem preparada estratégia política, um claro esforço para salvar o que restava do salazarismo, a estratégia de proporcionar espaço de expressão pública a bandos de criminosos e assassinos do defunto MAN e da bem viva Frente Nacional, para semear no espaço público e político a ideologia do ódio. Esta declaração da essência do projecto político do PNR não surpreendeu quem sempre esteve atento à cada vez mais incisiva expressão da extrema-direita em Portugal. Mas o que é, de certa forma, incompreensível é a relativa e inexplicável distracção de muita boa gente, alegando quase sempre a sua fraca representação social. Mas o mais chocante ainda, é a hipocrisia dos muitos que, pelas responsabilidades governativas que desempenharam ou que ainda desempenham, só ajudaram a alimentar o discurso anti-imigração, nomeadamente alguns doutos membros deste governo que agora se apressam, como mandam as circunstâncias, a manifestar o seu repúdio e a sua indignação perante a desfaçatez do PNR. Portanto, a indignação de uma boa parte desta gente, mormente membros dos sucessivos governos do PSD, do CDS e do PS, não passa de um cinismo hipócrita. Porque as políticas que têm seguido até agora não fizeram senão instrumentalizar a imigração, alimentar o medo e acentuar a criminalização. O que é certo é que o governo está a hipotecar o futuro de uma convivência cosmopolita saudável, pelas más soluções para os falsos problemas que associa à imigração e pelos falsos argumentos que invoca para legislar sobre a mesma, cedendo à chantagem da extrema-direita e dando assim provas de uma grande irresponsabilidade. Basear a orientação política, como está a fazer o governo, no pressuposto de que é preciso endurecer a política de imigração, só contribuiu para fragilizar todos os mecanismos que podem conduzir a uma verdadeira inclusão social e fomentar e sustentar uma sociedade cosmopolita e intercultural. Acreditar numa política repressiva baseada na ideia da Europa fortaleza e procurar ocultar as suas consequências, é um erro que se começa agora a pagar. Para um dos ideólogos do partido do governo e um dos principais arquitectos destas posições, António Vitorino, uma das perguntas que importa colocar é a de saber se, após todos os salamaleques do famoso «fórum de imigração da Gulbenkian», que ele patrocinou, e perante a sua indignação vertida na inverosímel crónica no DN de 30 de Março, ainda continua a achar que «a imigração não é um direito, mas sim, uma oportunidade.» Porque esta sua asserção consubstancia a mercantilização da imigração e a negação de qualquer direito de liberdade de circulação e de instalação. Não restam dúvidas de que esta agremiação de criminosos e de patéticos fascistas saudosistas do salazarismo, reagrupados pelo PNR, só alcançará maior visibilidade e legitimidade política se as políticas do governo continuarem a seguir este rumo securitário, de criminalização crescente dos imigrantes, banhado num eurocentrismo racista e xenófobo. |
Feitos do Império (ultra-liberal) no Alentejo
Ilha das Flores
O título desta crónica parece sugerir o mar de brumas do fantástico arquipélago dos Açores. Mas esta Ilha das Flores fica bem no coração da planície alentejana, a meia-dúzia de quilómetros de Beja, a caminho do futuro aeroporto onde os alemães construíram a base aérea, nos já longínquos anos 60. Nos últimos anos a Ilha das Flores tem sido habitada por muitos estrangeiros, não por alemães, mas sobretudo por moldavos e também alguns romenos e ucranianos. E o nome não bate certo com a coisa: em vez de um jardim, foi montada o estaleiro ou “plataforma logística” duma empresa que leva “a marca Alentejo” (para usar expressões em voga) a tudo o que é feira ou exposição, do Minho ao Algarve ou mesmo em Espanha.
A ideia era genial. Como se sabe, neste país em crise permanente, alguns sectores andam sempre de vento em popa: além da banca – um caso à parte – às tascas e às funerárias juntaram-se, nos últimos anos, as feiras e exposições. Parece mistério como há tanta coisa para expor, quando todos os dias fecham empresas… Mas, desde os tempos áureos do comércio das Índias, ninguém nos bate na arte das mil maneiras de embrulhar o mesmo produto. Nem que seja à custa de mão-de-obra estrangeira. Afinal, depois de tanto emigrarmos, lá aprendemos as vantagens da imigração que só alguns energúmenos fingem ignorar, em forma de cartaz, no Marquês de Pombal.
Além de estaleiro, a Ilha das Flores transformou-se em camarata para dezenas de trabalhadores. Tal como na tropa, onde os soldados são acordados a qualquer hora para partirem para uma operação ou em combate, este brigada da Moldávia está sempre “pronta a atacar”, seja uma feira em Bragança ou Mirandela, uma exposição em Viana do Castelo, Aveiro, Felgueiras ou Gondomar. E daí para baixo: Viseu, Guarda, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Alentejo ou Algarve. Não é raro acabar a montagem de uma exposição ás 3 da madrugada em Sintra e, de imediato, uma carrinha cheia de trabalhadores arrancar para Ourique ou Portimão, com heróis sem sono a conduzir horas seguidas. Milagre mesmo é não haver mais acidentes e vidas ceifadas no asfalto.
E assim, neste jardim onde só crescem flores do mato, se construiu uma empresa de sucesso. Além das encomendas sempre a crescer, há outros segredos: 35 euros por 10 horas de trabalho diárias (3,50 euros à hora, não actualizados desde 2001) que podem ser sempre acrescentadas e para as quais não contam os tempos de viagem – uma espécie de bónus que os trabalhadores são obrigados a oferecer ao patrão. Mas este, preocupado com o ambiente familiar, dá-lhes anualmente dois meses de férias no país de origem, normalmente na época baixa de feiras, com uma particularidade: estes dois meses não são pagos, bem como os respectivos subsídios de férias e Natal.
Pode perguntar-se: como é possível alguém aguentar e calar, durante tantos anos? A verdade é que, no mundo-cão em que vivem milhares de imigrantes em Portugal, esta Ilha das Flores oferecia uma relativa “flexisegurança”: durante dez meses trabalham “a matar”, podendo receber cerca de 1000 euros mensais, consoante o número de horas; gozam dois meses de férias não pagas e têm trabalho garantido no regresso. Com uma cláusula adicional: “se não aceitas, a porta da rua é já ali e há mais umas dezenas à espera”. Além disso, a maioria (mas não todos) tem contrato, faz alguns descontos para a segurança social e tem os vistos de trabalho em dia.
O sistema funcionou na perfeição enquanto o horizonte dos trabalhadores se limitava a acumular o máximo de dinheiro, na ilusão dum regresso rápido. Mas chegaram as mulheres e os filhos, muitos deixaram a camarata da ilha das Flores e vieram morar para a cidade; assumiram compromissos, como pagar a renda no princípio do mês. Passaram a exigir o pagamento do salário a tempo e horas e não com dez ou quinze dias de atraso. Então a “empresa de sucesso” perde as estribeiras e ameaça com despedimentos. Por azar, foi apanhada com vários trabalhadores ilegais que viviam sob chantagem permanente, sendo obrigada a dar-lhes os documentos necessários à obtenção dos vistos. Um deles acaba de sair de um mês em coma no Hospital de Beja e nem segurança social tinha…
Os mitos de sucesso, como os impérios, também se abatem. Entretanto, tudo isto se passa com a conivência dos governos, como o actual – a propósito, o que é feito da nova lei de imigração, prometida há quase um ano? Ou estão à espera que Portugal acabe por se transformar numa imensa Ilha das Flores, em nome da Flexisegurança?
Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 10/04/2007
6 avr. 2007
Até pra semana malta!
Não façam asneiras na estrada...
Uma Páscoa feliz...
Eu, vou começar por um funeral...
Alerta, não estamos á venda!
presume), pretende lançar internacionalmente a marca ALLGARVE associada a
um conjunto de eventos no ALGARVE.
A marca está mal escolhida? Não. Está escolhida bem demais e corremos o
risco, pela facilidade que representa para os anglófonos, de vir a
substituir a designação da nossa linda região sul: ALGARVE. Acresce que
estão previstas verbas importantes para implantar a marca
internacionalmente.
Nota que ainda hoje chamamos IMPERIAL a um copo de cerveja de qualquer
marca e que a Dupont de Nemours teve que abrir mão da sua marca "Celofane"
porque ninguém sabia chamar outra coisa ao papel transparente.
Por este andar qualquer dia viveremos em PORTUGALL… e francamente não
queremos.
Dá-nos a tua opinião (comentário) e subscreve a petição a solicitar a
suspensão imediata da marca ALLGARVE. Não aceites viver num país de
ALL(G)ARVES.
Visita o link:
http://www.petitiononline.com/ALGARVE/petition.html
P.S.: Por favor passa este e-mail aos teus amigos. Todos somos importantes
para que "Em Roma nos mantenhamos romanos".
--
Elvira Mendes André
http://tabac.blogspot.com/
http://tascadaelvira.blogspot.com/
http://elvirabistrot.blogspot.com/
4 avr. 2007


Les deux artistiques franco-lusophones qui ambitionnent de monter un plateau itinérant, vous serviront le répertoire de leurs albums respectifs, agrémenté de nouvelles compositions. Carlos sera accompagné par la guitare de son désormais complice, Dartone, et le piano endiablé de Stéphane Lébé mettra le feu aux chansons de Dan, qui sera tout juste sorti des studios d’enregistrement pour son quatrième album, lui aussi acoustique, co-écrit entre autre avec l’écrivain Alice Machado et le journaliste Yann Lavoix (France2 / RMC).
Comunicado do CCP em França
Paris, 1 de Abril de 2007
portugueses de frança chumbam a decisão do governo de encerrar consulados
Os Colectivos de defesa dos Consulados de Portugal em França e o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) informam que os resultados finais do Referendo realizado este fim-de-semana em França sobre o encerramento dos postos consulares de Nogent, Versalhes, Orléans e Tours decidido pelo Governo português, foi o seguinte:
Total de votantes: 6.565
Dos quais:
· 6.522 não concordam com o encerramento dos Consulados
· 34 concordam com o encerramento dos Consulados
· 9 votos nulos
51 mesas de voto
Resultados por área consular:
Area consular de Paris:
· 5 mesas de voto
· 1.201 votantes
· 1.193 não concordam com o encerramento dos Consulados
· 7 concordam com o encerramento dos Consulados
· 1 voto nulo
Area consular de Nogent:
· 12 mesas de voto
· 1.776 votantes
· 1.757 não concordam com o encerramento dos Consulados
· 15 concordam com o encerramento dos Consulados
· 4 votos nulos
Area consular de Versalhes:
· 17 mesas de voto
· 2.097 votantes
· 2.082 não concordam com o encerramento dos Consulados
· 12 concordam com o encerramento dos Consulados
· 3 votos nulos
Area consular de Orléans:
· 10 mesas de voto
· 1.137 votantes
· 1.135 não concordam com o encerramento dos Consulados
· 0 concordam com o encerramento dos Consulados
· 2 votos nulos
Area consular de Tours:
· 7 mesas de voto
· 354 votantes
· 354 não concordam com o encerramento dos Consulados
· 0 concordam com o encerramento dos Consulados
· 0 votos nulos
Para além dos resultados do Referendo, importa dizer que:
O número de votantes ultrapassou em muito as nossas espectativas mais optimistas. Por exemplo, para as eleições Presidenciais de Janeiro de 2006, nas mesmas áreas consulares votaram 3.361 Portugueses. Para o Referendo, tal participação foi duplicada.
No referendo, à pergunta «Concorda que o Governo encerre os Consulados de Nogent, Versailles, Orléans e Tours e crie um mega-Consulado em Paris?», os Portugueses residentes nestas áreas consulares responderam claramente que não (99,35%), chumbando assim, redondantemente, a decisão do Governo.
A votação nas 51 mesas de voto (em associações, igrejas, rádios,…) decorreu com civísmo. Foi a primeira vez que tal aconteceu e mostrámos assim que é possível organizar eleições com mesas de voto descentralizadas.
Esta foi também uma excelente oportunidade que sensibilizou os Portugueses residentes em França para a participação eleitoral. Um grande número de votantes nunca tinha votado, mas souberam afirmar deste modo o seu civísmo e prometeram que vão recensear-se e que vão motivar amigos, vizinhos e familiares a fazê-lo também. Todos disseram que basta de preconceitos e querem que a sua voz seja ouvida pelos Governos de Lisboa.
O Conselho das Comunidades Portuguesas solicitou uma audiência ao Senhor Presidente da República e aguarda-se a todo o momento o seu agendamento.
O Conselho das Comunidades Portuguesas também tem vindo a solicitar, em vão, uma audiência com o Senhor Primeiro Ministro.
Face ao resultado obtido e aos consecutivos protestos, Os Colectivos de defesa dos Consulados de Portugal em França e o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) apelam ao Governo para que reveja urgentemente a sua posição e que cumpra a promessa que fez à Comunidade de nunca encerrar Consulados.
No que diz respeito a França, o actual plano de reestruturação consular é mau porque:
· Com os encerramentos dos Consulados de Portugal em Orléans e Tours, o Governo apenas economiza 100.000 euros por ano, obrigando os Portugueses residentes naquelas áreas a percorrer centenas de quilómetros para irem ao Consulado de Paris.
· Com a concentração de todos os serviços num só posto consular em Paris, sem serviços de atendimento descentralizados, o Governo vai criar deficiências nos serviços, aumento do tempo de espera,…
· O Governo está a afastar os Portugueses residentes no estrangeiro de Portugal e também não está a acautelar os próprios interesses de Portugal junto das autoridades francesas.
A Coordenação dos Colectivos de defesa dos Consulados de Portugal em França e o Conselho das Comunidades Portuguesas, vão ter uma reunião de balanço dos resultados do referendo na próxima terça-feira.
Mas desde já, decidiram que a luta vai continuar.
______________________
Contactos imprensa:
António Fonseca, Coordenador do CCP em França: +33.660.33.93.27
Carlos Pereira, Presidente do Conselho Permanente do CCP: +33.608.21.92.42
Contra o racismo
Face à polémica desencadeada com a afixação dum cartaz de propaganda do PNR no Marquês de Pombal, em Lisboa, a delegação do Alentejo da Associação Solidariedade Imigrante e a Associação da Comunidade Imigrante Romena e Moldava do Alentejo decidiram emitir o seguinte comunicado conjunto:
Imigração só acaba com “o fim do mundo”
O cartaz do denominado PNR como o dizeres “Basta de imigração – Nacionalismo é solução”, além de revelar a profunda ignorância e estupidez dos seus promotores, é de conteúdo claramente manipulador e integra-se na campanha xenófoba e de ódio racista da extrema-direita europeia, visando a reabilitação histórica do nazi-fascismo.
1. A história da humanidade confunde-se com a história das migrações que tiveram início há mais de 3 milhões de anos, provavelmente em África, onde foi descoberto o célebre esqueleto da pequena Lucy, da espécie Australopithecus afarensis.
Seja qual for o local e a época exacta, hoje não há dúvida de que o género humano teve uma origem comum e migrou através dos diversos continentes e mares, possivelmente de África para a Europa e a Ásia e desta para as Américas, pelo estreito de Bering.
Esta longa marcha ainda não terminou e é provável que ela só acabe quando a própria Humanidade se extinguir, isto é, com o “fim do mundo” – seja qual forem as suas diversas interpretações naturalistas, religiosas ou antropológicas.
Mentirosa porque é unanimemente reconhecido o contributo indispensável dos imigrantes para o crescimento económico, a minimização da quebra demográfica e do envelhecimento populacional, em Portugal como em quase todos os países europeus.
E ofensiva não apenas da dignidade e dos direitos dos imigrantes, mas também para as dezenas de milhares de emigrantes portugueses que, todos os anos e em ritmo crescente, continuam a sair deste país, em busca de melhores condições de vida e de trabalho – exactamente o mesmo que os imigrantes de todos os continentes buscam em Portugal.
Nenhum decreto, nenhum governo, nem sequer nenhum império é capaz de parar esta pulsão migratória, tão antiga como a própria humanidade. Só mentes mesquinhas e perversas se lembrariam de escrever neste cartaz repugnante: “Façam boa viagem”… Para onde, para um qualquer novo Auschwitz?
3. De resto, esta não é sequer uma medida isolada, mas apenas uma peça do programa do denominado PNR que pode ser consultado na Internet e propõe, entre outras medidas: alterar a Lei da Nacionalidade, recentemente promulgada e cuja aplicação ainda mal começou; terminar com as políticas de reagrupamento familiar ou “o reagrupamento familiar deve ser feito sim, no país de origem” – outra forma de defender a expulsão dos imigrantes; expulsar os clandestinos, fingindo ignorar que estes são vítimas da exploração selvagem de patrões sem escrúpulos; desmantelar os guetos; organizar o regresso dos estudantes estrangeiros e dos imigrantes, etc., etc.
4. Perguntamos: o que mais será necessário para o parlamento, o governo, o Presidente da República e os tribunais portugueses cumprirem e fazerem cumprir a Constituição da República Portuguesa, cujo Artigo 46.º, n.º 4, dispõe:
“Não são consentidas associações armadas nem de tipo militar, militarizadas ou paramilitares, nem organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista”.
5. Perante o reeditar destas ameaças à Liberdade e aos Direitos Humanos, responsáveis pelo Holocausto e julgadas pela História após a II Guerra Mundial, exigem-se actos e não meras palavras.
Do parlamento e do governo português, em particular, esperamos que não protelem a aprovação de uma nova Lei de Imigração justa, moderna e tolerante, capaz de responder aos novos desafios de Portugal e da sociedade europeia.




