16 juin 2007

Gigafraude

Não são horas para o comum dos mortais estar acordado, sobretudo na véspera dum dia de trabalho. Mas, uma vez por outra, todos assistimos a uma daquelas sessões de anúncios e vendas em directo pela TV. O processo está de tal modo profissionalizado que há canais nas redes de cabo dedicados exclusivamente a este tipo de vendas agressivas. Claro que só assiste quem quer. Mas a coisa foi muito bem estudada e funciona. Como não podia deixar de ser, tudo começou na América: a quase totalidade desta programação global é dominada por agências publicitárias made in USA.

Há pouco mais de um ano, um familiar meu encomendou uma daquelas máquinas de ginástica que fazem maravilhas ao corpo. E fê-lo sem qualquer preconceito, até porque experiências anteriores de televendas nunca tinham corrido mal. Desta vez, porém, o artigo não satisfez. Seguindo instruções muito claras do vendedor, procedeu à sua devolução no prazo de quinze dias, com a garantia de que o dinheiro seria integralmente devolvido através de depósito na conta – bastava indicar o NIB…

Começou aí a odisseia que está longe de terminar. Para encomendar basta ligar o 700 200 404, a qualquer hora do dia ou da noite. Em poucos dias o produto chega a casa, com a opção de compra a pronto ou a prestações – sabendo o que sei hoje, recomendo as prestações, ao menos só se perde a primeira… A empresa em causa dá pelo nome de GigaShopping.tv. Como o dinheiro nunca mais era devolvido, o meu familiar começou a telefonar para o número de apoio ao cliente: 219 856 119, mas este estava sempre interrompido, ou ninguém atendia, ou ia parar ao fax…

Ao fim de meses de desespero, recorreu ao serviço de apoio ao consumidor da Câmara Municipal de Beja que – disso sou testemunha – tem ajudado a resolver inúmeras reclamações. A técnica fez todas as tentativas de contacto para a morada, telefone e fax indicados na publicidade da empresa, sem obter qualquer resposta. Comentei com os meus botões: “é preciso cuidado com estes gajos…”.

Diz-se que à primeira qualquer cai, à segunda cai quem quer… O caricato é que uma noite acordei estremunhado, ao som da televisão que me tinha esquecido de desligar. Antes de ter tempo de deitar a mão ao comando, dei com os olhos numa vistosa tenda azul que, a princípio me parecia de campismo; mas não, era um secador de roupa, de nome “AIR-O-DRY”, à americana! Além de secar a roupa, as camisas ficavam enfunadas e nem precisavam de ser passadas a ferro. Uma autêntica dádiva dos céus! Com a lucidez própria das quatro da madrugada, telefonei para o 700 200 404 e confirmei a encomenda – a pronto, já que a tenda milagreira custava pouco mais de 100 €!

A única coisa que consigo alegar em defesa da minha sanidade mental, além da hora tardia, é que desconhecia o telefone e o nome da firma – a mesmíssima GigaShopping – que se tinha esquecido de devolver o dinheiro ao meu familiar. E fi-lo, claro, com a autoconfiança de “quem já tem muitos anos disto – a mim não me enganam eles…”. Que ideia! A dita tenda era minúscula e o ar quente, soprado por uma espécie de mini secador, escapava-se pelas fendas… E lá devolvi o artigo.

Desconfiado, confirmei que se tratava da mesma empresa. Assim, em vez de fazer a devolução pelo correio, resolvi ir pessoalmente a uma loja da GigaShopping, por sinal de muito bom aspecto, na Rua Ilha dos Amores, junto à esquadra da PSP no parque das Nações, em Lisboa. Fui atendido com a maior simpatia, mas ali não se aceitavam devoluções, só no serviço de apoio ao cliente, em Lousa. Decidido a provar até à última gota deste cálice, segui pela A8 para Lousa e fui até ao Carrascal. Não vendo nenhuma identificação da GigaShopping, resolvi perguntar num stand de automóveis usados. Com um sorriso, responderam-me: “É ali por trás”.

E era: escondido numa escarpa da encosta, um barracão imundo, cheio de artigos presumivelmente devolvidos – o dinheiro é que não! Além do ladrar dum cão e dum segurança avantajado, nada se ouvia. Perguntei pelo “serviço de apoio a clientes” e lá veio uma funcionária que, depois de alguma surpresa – “como é que o senhor aqui chegou?” – aceitou a tenda e me passou a guia de devolução, atestando: “produto completo e em perfeitas condições”. Confrontada com o caso do meu familiar, a diligente funcionária afirmou desconhecer as causas mas prometeu que o caso iria ser resolvido, tal como o meu. Incrédulo, pedi a morada da sede da empresa, para falar com alguém responsável. Confesso que a resposta já nem me surpreendeu: “isso é que eu não lhe posso dizer…”! Insisti: “então trata-se duma empresa clandestina?”. “Isso não lhe posso dizer…”

Passados quatro meses, tudo continua na mesma, excepto a senhora que me atendeu e que terá sido despedida – talvez por ter “falado demais” ou me ter dado o telefone directo do serviço de apoio a clientes. Afinal, quem não respeita o consumidor, porque haveria de respeitar os seus trabalhadores? Há negócios perfeitos: perdido na economia global, um barracão escuro cheio de artigos devolvidos e milhares de clientes que vão perdendo a paciência, mas também a esperança de ser indemnizados. Entretanto, todas as madrugadas, eles passeiam-se impunemente nas televisões: 700 200 404.

Citando um anúncio em voga, eu diria que é um negócio quase perfeito: aqui deixo o aviso a outros incautos; e, pela minha parte, não descansarei enquanto não for desmascarada esta Gigafraude.

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 12/06/2007

Nevoeiro

10 juin 2007

O 10 de Junho e os emigrantes

Conselho das Comunidades Portuguesas

conselho permanente

Mensagem do 10 de Junho

Dia de Portugal, de Camões
e das Comunidades Portuguesas



No próximo dia 10 de Junho comemora-se o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.Nas mais diversas Comunidades de Portugueses espalhados pelos quatro cantos do mundo, esta data vai ser comemorada com uma multitude de eventos que marcam a nossa ligação com Portugal.
Também a classe política vai enviar mensagens aos Portugueses residentes no estrangeiro, por ocasião do 10 de Junho. Conhecemo-los bem, os discursos. São discursos de circunstância que fica sempre bem fazer em datas festivas.
Mas não deixam de ser discursos escritos com a mesma tinta que assina, por exemplo, o encerramento de postos consulares.
Há muito tempo que as Comunidades portuguesas se queixam das atitudes dos sucessivos Governos de Portugal. Mas o sentimento de abandono tem atingido níveis nunca antes alcançados.
A decisão de encerrar 12 postos consulares e de despromover muitos outros é um dos atentados mais graves que se dirigiram às Comunidades portuguesas nos últimos tempos (já um Governo anterior tinha encerrado quatro postos). São políticas de gabinete que não tomam em consideração quem mora a centenas de quilómetros do Consulado mais próximo ou de quem vai passar a ficar sem representação consular no país onde reside. São políticas incompreensíveis e gratuitas.
Numa atitude arrogante, insensível, o Governo não tomou em consideração a opinião do Conselho das Comunidades Portuguesas, não trabalhou com o seu órgão de consulta a rede consular de cada país, não quis ouvir a opinião de quem mora no terreno.
Milhares de Portugueses vão sentir na pele estas medidas apresentadas como extraordinárias e que não vão fazer ganhar mais do que um milhão de euros por ano, enquanto que os Portugueses residentes no estrangeiro enviam para Portugal seis vezes mais do que isso, por dia!
Enquanto isso, o Governo continua a nomear Consules Honorários, sem que tal se enquadre numa qualquer estratégia política (pelo menos conhecida), mas sim para recompensar apoios nas campanhas eleitorais.
Para mais, o Governo decidiu reduzir drasticamente (primeiro até tinha decidido suprimir!) o Porte Pago dos jornais e revistas regionais para o estrangeiro. Suprime assim um dos elos mais importantes de ligação entre Portugal e as Comunidades portuguesas.
Na mesma sequência, o Governo suprimiu os créditos poupança-emigrante, sem qualquer concertação com os principais interessados, numa atitude unilateral de quem está pouco interessado em conhecer a opinião de quem está no terreno.
Em contrapartida, o Governo insiste em não encontrar solução para a contagem do tempo de tropa dos ex-militares e ex-combatentes emigrantes, continua sem uma política de língua e de cultura para as Comunidades, continua sem dar os meios necessários à RTP internacional para prestar um bom serviço público a quem vive no estrangeiro, continua a não haver nenhum organismo que estabeleça relações entre as milhares de pequenas e médias empresas de emigrantes portugueses com Portugal...
Apesar do manifesto ‘interesse nacional’ muitas vezes evocado, força é de constatar que as Comunidades portuguesas não existem para os governantes de Portugal e passam despercebidas para Portugal em geral.
O próprio órgão de consulta que é o Conselho das Comunidades Portuguesas, devia ter terminado o seu actual mandato no passado mês de Maio, mas o Governo não se digna convocar eleições, alegando querer alterar a Lei do CCP. Também a Assembleia da República não se tem mostrado interessada em atender à proposta de alteração de Lei apresentada pelo Governo.
Estamos pois actualmente num impasse que promete continuar. Não há quem decida sobre esta matéria. Deixa-se apodrecer a situação. Esquecem-se as Comunidades.
Enquanto isso, o Governo também não dialoga com o Conselho das Comunidades. Ignora-o, esquece-o, num atentado grave à democracia e sobretudo a quem elegeu os Conselheiros.
No entanto, os Conselheiros eleitos por sufrágio universal (é sempre bom lembrá-lo) continuam a denunciar os problemas das diferentes Comunidades, continuam a transmitir a quem de direito os principais problemas que afectam os Portugueses que residem no estrangeiro, não como uma atitude de oposição a qualquer Governo, mas com a responsabilidade de ter sido eleito para fazer exactamente esse trabalho.
Neste contexto em que Portugal está de costas voltadas para as Comunidades, será necessário repôr alguma verdade nos discursos que actualmente se vão fazer por ocasião do 10 de Junho.
É verdade que cada vez há mais afirmação local das Comunidades. Há sucessos económicos, empresariais, políticos, culturais, desportivos, associativos,... Há tudo isso. Mas nada disso foi realizado com o esforço dos governantes de Portugal. Pelo contrário, nada tendo feito, aparecem agora, nesta data comemorativa, com discursos emocionantes que mais não são do que tentativas de recuperação do esforço que as próprias Comunidades portuguesas têm feito.
Neste fosso entre Portugal e as Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, resta-nos a poesia! Vamos continuar a comemorar esta data, nos quatro cantos do mundo, com sentimento de patriotismo, de amor ao nosso país, de orgulho pelas raízes que temos. Na sua esmagadora maioria, vamos comemorar entre nós, de cabeça erguida e com o sentimento que quem quer que Portugal também seja nosso.
Sobre o significado destas comemorações que se realizam nas regiões mais remotas do mundo, os governantes de Portugal não conhecem o significado. Nem querem conhecer.
Enquanto Presidente do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, orgulho-me de ter sido, mais uma vez, convidado pelo Presidente da República, para participar nas comemorações oficiais, que este ano terão lugar em Setúbal.
Neste contexto – certamente grave – resta-me aproveitar esta oportunidade para lançar um apelo a todos os Portugueses residentes no estrangeiro: Não vamos baixar os braços. Vamos tomar o nosso destino em mãos.
Apelo ao recenseamento massivo dos Portugueses no estrangeiro. O voto continua a ser a nossa última arma. Vamos recensear o máximo de Portugueses. Vamos votar. Vamos dizer: Basta!

Viva Portugal

Vivam as Comunidades Portuguesas

Carlos Pereira

Presidente do Conselho Permanente

Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP)

Tel. +33.608.21.92.42 (Paris)

www.ccp-mundial.org

Y a-t-il eu une campagne pour les législatives?

Música lusa

Avant la sortie de son quatrième album, et de son concert événement au
Sentier des Halles, c’est avec grand plaisir que j’ai accepté l’invitation
de mon ami Dan Inger pour assurer la première partie de son concert
Acoustique Au Belvédère :

Samedi 23 juin 2007 – 16h00

Un concert acoustique, ou je serais accompagné par mon complice guitariste
Dartone. Nous présenterons les chansons de mon répertoire sous une autre
facette plus intimiste et dépouillée et également quelques titres qui
figureront sur mon deuxième album en cours de préparation.
Guitare & Chant : Carlos MAR
Guitare : Dartone



Dan Inger

Le Quatrième, nouvel album de Dan Inger, est co-produit et co-écrit en
partie par la romancière Alice Machado et le journaliste Yann Lavoix
(France2 / RMC). Cet opus marque un retour à la chanson française, en
gardant toutefois un clin d'oeil aux origines de l'artiste.

Acoustique et intimiste, avec une base de quatre musiciens sans batterie
tel que sur scène, il a comme une dualité entre la sensualité chaude et
hautaine d'une brune latine, et le charme d'une blonde américaine, dont
le pied en talon aiguille marque sa présence sur le carrelage d'une
taverne de Lisbonne. Il sent le fer brûlant des cimetières de « Cadillac
» et la sueur sur un bandonéon, il a l'intimité d'un vieux piano sur des
chansons où on entend presque le ventilateur
au plafond. Il est comme la vie d'un homme, entre rires et larmes, entre
violons et violences.
Piano & Choeurs : Stéphane Lébé - Guitare & Choeurs : Red Mitchell - Basse
& Choeurs : Patrick Ara - Guitare & Chant : Dan



Au Belvédère 3 av. Jean-Jacques Rousseau
Champigny sur Marne - Tél. 01 48 80 54 89

www.carlosmar.com
www.myspace.com/1carlosmar

www.daninger.com

2 juin 2007

Um outro Nordeste: Trás-os-Montes

Dois poemas (de Tchalé Figueira)

As varizes nas colunas das minhas pernas
Colunas calcinadas pelo incontrolável tempo
A necrófila hiena, o carnívoro leão,
Morte pelo entupimento das artérias coronárias

O coração é um músculo que bomba sangue; a grande
Maravilha do mundo. O cérebro laguna de átomos,
Genocídio alimento para chacais - Monte de cadáveres
Percorrem a inutilidade dos meus poemas

Sinto as minhas unhas conspurcadas pela terra
Dos coveiros - Saco de podridão lenta,
Soldado morto no ventre putrefacto
De um alazão com ligaduras embebidas em sangue

Carpindo nos olhos de uma gazela inocente,
Meia-noite navega na barca que atravessa o submundo
Canhões estilhaçando crianças em inocência

O planeta é obsceno e, uma mulher vítima
De sodomia de um batalhão de trogloditas,
Fermenta num laboratório de amarguras

Cérebros em obediência,
Tirania de abutres encharcados em sangue
Banqueteando minha poesia em flor
Nesta casa dermatológica do corpo

Artérias estatelando-se em rios de sangue

Felicidade de uma rua em fogo exonerando,
Termina a luz do luar na casa do peito

Fotões numa libélula, átomos de uma abelha
Favo de mel nos lábios frios da solitária
Paixão.
A morte passeia pela alameda do
Dia, a gangrena cospe nas feridas do mundo

Sedentário a passividade das palavras
Bisturi amputando pernas na lepra da rotina
Um tigre de papel no sem nexo da dialéctica

Múmias segredam sabedoria as almas perdidas
As cidades perdem-se no fumo da devastação
Transe cacofónico de tubarões submersos
Nas fezes de um profeta sem palavras

Depressiva é a variação de uma orquestra
No crânio de bestas felizes mastigando química

Prosac?!... É a salvação do cadáver ambulante!...

O mundo caminha chapinhando no coito
De um amanhecer fúnebre, gruta sombria
De um novo dia.

In Latitudes, avril 2007.

Motoqueiros



Bom, isto já passou, foi ontem e foi referido no Arremacho lá da Moita...(http://arremacho.blogspot.com), e só por causa dele falar da concentração do Moto Clube da Moita no 1° de Junho, "com passeio na Moita e almoçarada", eu ponho aqui uma foto dos gajos de Faro, tirada na praia de Faro no mês de Dezembro passado.
É só para fazer um pouco de pub. Eu não sou motoqueiro, mas com o corte de cabelo, os Jean's, o blusão de cabedal e as santiags, todos pensam que sou! Pudera eu ter o cacao para comprar uma Harley, e antes tirar a carta...