2 nov. 2008

Poema de Alfarrobeira - António Gedeão

" Era Maio, e havia flores vermelhas e amarelas
nos campos de Alfarrobeira.

O homem,
de burel grosso e barba de seis dias,
arrastava os tamancos e o cançaso.
Ao lado iam seguindo os bois puxando o carro,
naquele morosíssimo compasso
que engole o tempo ruminando o espaço.

Era velho mas tinha a voz sonora
e com ela incitava os bois em andamento,
voz cantada que os ecos prolongavam
indefinidamente.
Era um deus soberano e maltrapilho
a cuja imperiosa voz aquelas massas
de carne musculada,
maciça, rude, bruta, inamovível,
obedeciam mansas e seguiam
no sulco aberto
como se um pulso alado as dirigisse,
mornas e sonolentas.

A voz era a de um deus que os mundos cria,
que do nada faz tudo,
que vence a inércia e anula a gravidade,
que levita o que pesa e o que trata como leve.
Potência aliciadora alonga-se e prolonga-se
nos plainos da paisagem,
enquanto os animais prosseguem no caminho
do seu quotidiano,
pensativos e absortos.

Lá em baixo, na margem do ribeiro,
estendido sobre a erva,
jaz o infante.
Do seu coração ergue-se a haste de um virote
erecta como um junco,
e já nenhuma voz o acordará."

António Gedeão, Poemas escolhidos, Edições João Sá Da Costa, LDA

28 oct. 2008

1 euro contre la crise...

Un repas complet au restaurant pour un euro: c'est la formule de la cidrerie Dario's à Gijon, dans le nord de l'Espagne, qui propose une fois par semaine un "menu anti-crise", a constaté un photographe de l'AFP.

Après des offres tests d'un jour les deux semaines écoulées, l'établissement propose dorénavant chaque jeudi son menu qui se compose d'une soupe de fruits de mer, suivie de côtelettes accompagnées de riz, puis de poulet ou d'anchois avec de la salade.

Comme tous les menus en Espagne, il comprend également le pain, la boisson et le dessert. Dans la région des Asturies, les restaurants proposent souvent des menus avec trois plats.

Près de 200 convives avaient profité jeudi dernier de l'offre de ce restaurant de 49 places, qui avait connu une très importante file d'attente.

L'établissement a lancé son opération pour tenter d'attirer de la clientèle, alors qu'il ressent les effets de la crise économique.

"Nous ne gagnons pas, mais nous ne perdons pas non plus", a déclaré aux médias espagnols une des responsables, Emilia Jimenez, assurant que les recettes du week-end compensaient le manque à gagner du jeudi.

Le Dario's espère faire des bénéfices à terme en renouvelant son menu "anticrise" les jeudi des prochains mois.

L'Espagne fait face depuis le début de l'année à un très sévère ralentissement économique, généré notamment par le retournement de son marché immobilier et accentué par l'actuelle crise financière internationale.

De plus, les ménages espagnols qui touchent des salaires parmi les plus bas de la zone euro, ont dû faire face à une envolée des prix à la consommation, et notamment ceux des produits alimentaires.

In Yahoo France - 28 octobre 2008

Dernier maquis

Originaire de la cité des Bosquets à Montfermeil, Rabah Ameur-Zaïmeche y pose sa caméra en 2001 et réalise 'Wesh Wesh, qu'est-ce qui se passe ?', actualisation des films de banlieue réalisés dans les années 1990. Pour ce projet, le jeune réalisateur fait tout lui-même, du scénario à l'interprétation, et produit le film avec ses fonds propres. Prix Louis-Delluc du premier film, ce long métrage montre avec acuité la difficulté sociale des habitants de Seine-Saint-Denis, traités par les pouvoirs publics dans ce qui confine à un apartheid à la française. Pour 'Bled Number One', il retrouve son personnage de Kamel et met en scène avec finesse le retour au pays, et cette situation entre deux eaux d'être étranger au sein même de son territoire d'origine. Pour son sujet suivant, l'islam au sein du monde du travail, il crée une galerie de portraits atypiques dans 'Dernier maquis'. En quelques films, Rabah Ameur-Zaïmeche s'affirme comme un brillant créateur du cinéma social.

Grand Corps Malade



A vida segundo Galeano (Capitulo 4)

A vida segundo Galeano (Capitulo 3)

A vida segundo Galeano (Capitulo 2)

Mudar de vida - José Mário Branco


© Isabel Pinto



Música Quinta 30 e Sexta 31 de Outubro de 2008
21h30 · Grande Auditório· Duração 1h30 · 20 Euros (Jovens até aos 30 anos: 5 Euros. Preço único)

Mudar de Vida – 2
Um espectáculo de José Mário Branco. Convidados: Gaiteiros de Lisboa.

Classificação: M/12

Informações e reservas
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt

Bilhetes à venda
Culturgest
Fnac
Bliss
Livrarias Bulhosa (Oeiras Parque)
lojas Abreu
Worten
www.ticketline.sapo.pt
Reservas
707 234 234


Convidado pela Culturgest para criar um espectáculo único e específico para o Grande Auditório, José Mário Branco fará aquilo que sempre fez nos seus álbuns e espectáculos: uma referência – como alguém escreveu, sempre autobiográfica – ao estado em que, no seu sentir, se encontra a sociedade de que faz parte. Tomando como base o mais recente repertório, José Mário Branco decidiu optar por um formato "em tripé" para os músicos que o acompanharão em palco. Primeiro, um conjunto de músicos, todos eles excelentes intérpretes-compositores que o têm acompanhado nos últimos anos nos momentos cruciais: José Peixoto, Carlos Bica, Rui Júnior, Filipe Raposo ou Guto Lucena, instrumentistas de excepção. Segundo, como no seu álbum mais recente Resistir É Vencer (2004), a presença de um quarteto de cordas (liderado pelo jovem Luís Morais, concertino e professor em Viena) irá reforçar o pendor introspectivo que sempre existe quando José Mário Branco nos fala do mundo e da vida. E, terceiro, os convidados muito especiais deste espectáculo: os Gaiteiros de Lisboa (grupo de que José Mário Branco fez parte na sua primeira fase) irão garantir duas componentes sempre presentes na sua música, as partes corais e as percussões. Este conjunto de músicos permitirá apresentar em Lisboa (pela primeira vez, e talvez única) a canção-rap-fleuve Mudar de Vida, escrita para o concerto de Abril de 2007 na Casa da Música, no Porto. Por isso este concerto se chama Mudar de Vida - 2.

José Mário Branco é um artista do seu tempo e da sua comunidade. E este tempo é de introspecção e de eterna busca, mas também de denúncia ("Isto não é sociedade que se apresente") e de acção ("Vamos mudar de vida!").



Voz, guitarra José Mário Branco
Guitarra José Peixoto
Contrabaixo Carlos Bica
Percussão Rui Júnior
Piano, teclados Filipe Raposo
Sopros Guto Lucena
1º Violino Luís Morais
2º Violino Jorge Vinhas
Viola Joana Moser
Violoncelo João Pires
Concepção e direcção musical José Mário Branco
Guião José Mário Branco e Manuela de Freitas
Foto Isabel Pinto



Invited by Culturgest to produce a unique show for its theater, José Mário Branco decided to accept the challenge by taking a look at modern society. Based on his latest releases he has opted for a "tripod" format for the musicians who will perform with him. Firstly, a group of excellent musicians and composers who have worked with him in recent years, including José Peixoto and Carlos Bica. Secondly, a string quartet led by Luís Morais. Then thirdly very special guests: the Gaiteiros de Lisboa, of which he was a member at the start of his career.
José Mário Branco is an artist of his time. He is introspective, but also critical and active in outlook.


© 2008 Culturgest